domingo, 27 de abril de 2014

New age

Nós vivemos na geração dos efêmeros.
Tudo hoje é descartável. Comunicação, amizades, celulares, roupas. Nós temos tudo, e tudo não é o bastante. O céu deixou de ser o limite há tempos, mas em contrapartida não existe entusiasmo para expandir os horizontes. Aprendemos a nos contentar com pouco, a vida virou rotina. Estamos na era do "pra sempre" apático. Pra sempre esse que hoje pertence a ti, mas que amanhã sabe-se lá a quem pertencerá. Isso tudo me deprime demais.
O comum hoje é o vazio. É sentar numa mesa de bar com 5 amigos, e os 5 estarem digitando freneticamente nos respectivos celulares. Ninguém mais dá a mínima para encontros reais, situações reais, pessoas reais. Nós já fomos mais humanos, já nos preocupamos mais. Agora é como se as pessoas tenham virado grandes voids individuais na Terra.
Eu sou fã e devota da tecnologia, confesso. Acho que os avanços que nós tivemos até hoje são maravilhosos. Mas ao mesmo tempo, fizeram do homem um escravo. A criatura se voltando contra o criador. Com todo esse avanço, acabos nos fechando cada vez mais dentro de nós mesmos, em frente às nossas telas. Quem hoje se importa em sair do nada de casa, pra simplesmente dar uma volta pela rua, ver gente? Os computadores mantém esses e outros vínculos em tempo real, no conforto de nossas casas.

Os relacionamentos hoje também são bem mais frios. As pessoas estão bem mais frias. Acho que, por dentro, todos nós já percebemos, de uma forma ou de outra, que nossos esforços para lutar pelo que quer que seja estão sendo em vão. Tornamos assim a apatia e desinteresse nossa essência, e deixamos de viver os dias para apenas vê-los passar.
Nós nos perdemos no tempo. Hoje, é hype ter carinha de depressivo, com barbas, iPhones e óculos retrô, ir pro Starbucks pedir um café que nem se curte e fazer uma selfie pro Instagram. Nós viramos nossos próprios deuses, nossas próprias civilizações, e somos esnobes e vaidosos demais a ponto de aceitar que uma outra civilização possa ser melhor que a de nós mesmos. E com isso, vamos nos afunilando mais e mais na geração social media, e esquecendo como é de fato viver. Quando eu era mais nova, eu tinha uma visão de futuro muito mais interessante do que a realidade de hoje.
Nos tornamos seres extremamente rasos, e não nos demos conta. Todo nosso mojo se foi. Só desinteresse nos resta. É como se todas as outras gerações tivessem bebido tanto de uma fonte que tornou aqueles anos mágicos, que nos restaram apenas gotículas de toda essa magia. E a tendência desse quadro é piorar.

Nós vivemos na geração dos efêmeros. Mas sabe qual a pior parte disso tudo?
Tem muita gente que acha que sabe ser profunda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário