quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Inverno


Eu tenho me alimentado meio mal ultimamente. Meu estômago dói constantemente por causa dos litros e mais litros de café que eu tenho tomado. É como se nas minhas veias, ao invés de sangue, corressem cafeína e tensão. Confirmei ainda mais o meu status de pessoa noturna por esses dias. Noturna e insone. Porque a noite me faz pensar. E pensar não me deixa dormir.
Eu nem vou sentar aqui e apontar as (inúmeras) falhas, porque eu já me cansei disso, desisti de ficar me repetindo. Apontar as minhas é lugar-comum, e é muito fácil descer o sarrafo nos outros quando se está de fora. Julgar é bem cômodo e se torna uma válvula de escape alternativa quando a indignação impera.
Não, eu também não vou dizer que foi tempo perdido, nem que está sendo, se é que ainda está sendo algo. Seria sim, se fosse coisa de 10, 20 anos. Afinal, 10, 20 anos são praticamente uma vida. Mas está durando pouco tempo, logo converto em experiência, sabe. É uma questão de forçar uma transformação do ruim para algo bom, e convenhamos que é de certa forma válido tomar mais umas porradas de leve pra aprender como mover as peças corretamente numa próxima vez. Vivendo e aprendendo, ainda que da forma mais complicada possível.
E os planos que eu fiz? De fato, agora eu rio da minha ingenuidade. O que me deixou tão cega a ponto de eu não ver que um dia isso tudo iria descer a ladeira? Foram as palavras, as pseudo-demonstrações de afeto? Será que foram todos os olhares? Não sei dizer. Cacete, agora estou apontando falhas.
É foda você se tornar tudo o que você condena nos outros. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Eu odeio gente relapsa. E sou a mais relapsa que eu conheço. Mas o pior é que eu sou assim justamente com quem eu amo, ou quem eu julgava amar. É, sou muitoeio sadomasoquista sentimental. Mesmo doendo muito em mim ver os outros sofrendo. Sou estranha. Muito estranha mesmo.
E vendo esse panorama, eu vou ficando receosa em sentir qualquer coisa que eu julgue ser boa agora, porém prejudicial pra mim a longo prazo. Assim, eu acabo criando um mecanismo de defesa, que é colocar mais uma vez a armadura de Ice Woman e fazer cara de paisagem pra tudo o que passa na minha frente. Ver que tudo está indo contra, e não me transtornar por nada. O que me deixa tensa é saber que pode aparecer a pessoa certa, e eu não vou saber lidar com ela por causa dessa frieza toda que eu estou impondo involuntariamente em mim. Mesmo que essa pessoa seja você. Mesmo que seja outrem. É como se a cada passo à frente que eu dou, eu fosse aumentando um pouco o inverno dentro de mim. E vai chegar uma hora que eu vou ser só gelo. E não vou conseguir mais sentir porra nenhuma, vou ficar totalmente dormente. Assim como eu estou agora. E eu não quero isso pra mim, eu quero sentir alguma coisa. Nem que seja dor, raiva, vontade de estar perto. O que me deixa quase que desesperada é que eu já não sei mais o que eu sinto por você. O que eu sinto pela gente. Te juro que a culpa disso não é minha. E você não sabe como dói admitir isso. Sim, um dia eu falei que nada me faria desistir disso tudo. Mas cheguei num ponto em que eu não sei mais onde eu estou pisando, não sei mais se o que eu estou fazendo é o certo. Sabe, tudo o que eu queria era um abraço seu. E ouvir "Relaxa, a gente vai passar por isso, vai dar tudo certo. Deixa de ser paranóica". E ter a certeza de que tudo isso o que eu estou sentindo é uma peça que meu subconsciente está pregando em mim. Mas sinceramente, eu não creio que seja isso que está acontecendo. Porque ao mesmo tempo que eu não quero ir, eu sinto que se eu ficar a tendência é a situação ficar cada vez mais insustentável, aos poucos. E vai chegar num ponto onde eu vou acabar explodindo, ou vou querer desaparecer assim como eu apareci. Do nada.
Mesmo estando totalmente pessimista quando a isso tudo, e ostentando um discurso completamente derrotado, eu ainda tenho uma ponta de esperança que isso seja só uma fase escrota. E se não for, bem, o script vai ser o mesmo de sempre. Só me basta segui-lo mais uma vez.

Foda é que eu tinha prometido pra mim mesma que eu não iria escrever porra nenhuma. Que iria seguir o flow. Pois é, mais uma promessa pro Hall das que eu não cumpri. Não foi a primeira, e nem vai ser a última.

- Post originalmente escrito em 21/06/11 -