quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Divagações sobre o passado


passado (pas-sa-do)
adj.
Referente a um tempo já findo; Diz-se de uma coisa que o tempo fez envelhecer, ou deteriorou.
s.m.
O tempo de outrora.

Eu tenho estado um tanto nostálgica por esses dias. Ouço músicas, leio conversas antigas, vejo fotos, sinto perfumes, tudo que me remete a uns anos. E a vontade de voltar no tempo é enorme, queria que alguém tivesse inventado a boa e velha Time Machine pra eu poder reviver dias que foram tão bons na minha vida. Sim, eu sei que de nada adianta querer isso, uma vez que o passado não volta, mas confesso que esses dias ele tem sido o meu refúgio. Por essas semanas minha mente tem sido uma confusão tão grande, eu sinto como se desconhecesse o terreno que eu estou pisando, terreno esse que eu julgava conhecer tão bem. Aí acabo caindo num buraco negro que me remete ao meu passado, onde as coisas não eram difíceis, onde a vida era simples, e eu era feliz assim.
Não reclamo da minha vida agora, pelo contrário. A liberdade que eu tenho agora em nada se compara ao que eu vivia uns dois anos atrás. Mas o fato é que foi há uns dois anos que a minha vida efetivamente começou. E eu sinto uma falta absurda desse início. Do prédio onde eu morava principalmente. Morar em prédio é mil vezes melhor do que morar numa casa. Toda aquela vibe de sair cumprimentando os amigos enquanto se sobe as escadas pra chegar em casa é uma coisa sei lá, no mínimo aconchegante. Hoje me peguei lembrando do meu quarto, todo rosa, com minha cama perto do computador, e de quando eu passava horas e horas na janela tirando fotos do horizonte, compondo músicas, ou simplesmente pensando em tudo o que se passava comigo por aqueles dias. Lembro também das montanhas lá ao fundo da paisagem da minha janela, que faziam o formato de uma mulher deitada. Engraçado como eu sempre me divertia com aquilo. Eu gostava do jeito que o sol entrava pela minha janela à tarde, deixando a porta do meu armário alaranjada, e a forma que a luz da lua iluminava a minha cama de madrugada. Falando em madrugada, sempre gostei de virar as noites escrevendo, vendo tv, ou simplesmente apreciando o silêncio, vício que eu carrego até hoje. Lembro também de quando eu ficava de castigo em casa, e o máximo que eu podia fazer era conversar pela janela com o Diogo. Falando em Diogo, me sinto tão bem de lembrar do início do meu "projeto de banda", três guris com instrumentos toscos tocando na casa do Thi como se não houvesse o amanhã, enquanto o vizinho colocava funks dos anos 70 alto pra cacete. Saudades de quando eu sismava de cantar Poppin' Champagne só com a bateria acompanhando, e de todos os planos que nós fazíamos, tipo ir pra Curitiba, os três, pra poder tocar nas nights de lá, aproveitar o frio sulista e fazer de lá a nossa casa.
Sinto uma descarga de memórias tão forte quando entro no bloco 02, e lembro de tudo o que já aconteceu naquelas escadas, naqueles corredores. Zoações épicas, rolês de skate na garagem, tráfico de bebida pra dentro dos blocos, festas na casa de um amigo que acabavam se estendendo pelo prédio inteiro. E o bloco 01... Ah, o bloco 01. As melhores e piores coisas da minha vida aconteceram no prédio. E as piores coisas acabavam se tornando boas no final. Sinto que se eu pudesse, eu mandaria construir um monumento na frente dele, com algo do tipo "As melhores lembranças da Carol jazem aqui". Cada pessoa que conviveu comigo naquela época me marcou de algum jeito, o fato é que eu nunca vou esquecer nenhum deles, mesmo que a força do tempo desuna um pouco os laços, ela nunca vai ser forte o bastante pra separá-los por completo.
Lembro de coisas simples também, mas que me trazem um certo conforto, do tipo voltar do meu curso de tarde, passar no depósito perto de casa e gastar minhas moedas numa lata de energético, que com certeza faria o resto do meu dia feliz. E também de sair do mesmo curso, e andar sem rumo, simplesmente pensando, pra depois parar no shopping e começar a compor letras com uma lata de Coca-Cola do lado. Inclusive, as letras mais intensas que eu compus até hoje foram feitas quando eu morava no prédio. Onde eu tirava inspiração das situações mais controversas da minha vida, e que acabavam tendo um resultado que me deixava mega satisfeita. Quando as tardes pra mim ficavam completas ao fechar a porta do meu quarto e tirar umas melodias no violão, tendo as letras que citei acima como base. A nostalgia é grande quando eu pego meu caderno de letras e cada palavra do que eu escrevi me remete a memórias que ainda estão vívidas em mim, como se tivesse ocorrido ontem.
Por essas e outras que eu digo, 2009 foi o melhor ano da minha vida. Eu, no alto dos meus 17 anos, dando de fato início à minha vida. Me estressava menos, me importava menos quando as coisas não saíam como o planejado. Meus relacionamentos eram mais simples, eu pensava de modo mais simples. Por outro lado, dava mais soco em ponta de faca, perdia mais meu tempo com causas impossíveis. Mas de certo modo, isso tudo era bom. Era quando eu estava mais próxima de mim mesma. Quando eu era a Carol. E eu sinto falta disso, dessa proximidade minha comigo mesma. Não digo que a minha essência está morta, mas ela se perdeu de mim do ano passado pra cá. Agora eu me tornei uma pessoa que eu não conheço. Alguém bem diferente, que eu não sei dizer se é melhor ou pior, mas que ainda assim não condiz comigo. Mas hoje eu percebi que a minha essência não está totalmente morta, ela havia apenas entrado num estado de coma, e de fato começou a recobrar os sentidos hoje. E depois de ter tirado férias de mim mesma há praticamente um ano, sinto que é chegada a hora de volta a pegar pesado, de voltar a ser eu.
É hora de me dissolver, pra me recompor. Hora de deixar de ser Carolina, e voltar a ser Carol.

- Post originalmente escrito em 08/09/11 -