quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Divagações sobre a insônia


insônia (in-sô-nia)
s.f
(Do lat. Insomnia)
Ausência ou falta de sono; insonolência. Privação de sono; vigília; indisposição para dormir; agripnia.


Eu nunca fui muito fã de dormir. Sempre achei uma perda de tempo, horas preciosas da madrugada (que sem sombra de dúvidas é a melhor parte do dia) que podem ser convertidas em milhões de coisas interessantes perdidas num estado de quase morte, de anestesia, onde você não sabe como começa e muito menos quando vai terminar, que às vezes ainda traz como um bônus uns sonhos bizarros que você preferia não ter sonhado. Isso é mais ou menos a minha definição de dormir. Em outras palavras, o sono é uma afronta à madrugada.

Agora que eu estudo em casa, eu meio que troquei o dia pela noite, virei vampira, como minha mãe costuma dizer com um certo descontentamento. O fato é que desde um dia em que eu estava com uma inflamação tensa na garganta, que fazia meu ouvido quase explodir de tanta dor, e meu pai teve que me levar às 3 da manhã no hospital, que eu comecei a me interessar pela madrugada. O céu estava bem limpo, a lua imensa, brilhando pra cacete, a brisa gelada que corria mesmo quando o dia foi de um calor filho da puta, aquilo tudo meio que me hipnotizou. A madrugada tem uma vibe que o dia nunca vai ter. Falando assim devem até pensar que eu vivo fora de casa nesse período. Que nada, ela se resume à passar a noite com os amigos no terraço do primo e ficar na frente do notebook com litros de café do lado até umas 5 da manhã.
O ponto é que juntando isso de ficar acordada de madrugada à umas coisas que estão acontecendo, a insônia começou a flertar comigo. Não que isso seja algo ruim (cara... é algo ruim), mas o pior é que essa insônia de uns tempos pra cá começou a evoluir pra... um medo de dormir. Ok, não é aquilo do tipo “cacete, se eu dormir eu vou morrer, alguém me ajuda @_@”, até porque nem tenho medo da morte. É mais um medo do que eu vou “encontrar” enquanto eu estiver dormindo. E nem é um medo em si, é mais um desconforto. Parece que quando eu vou dormir, quando minha mente relaxa em termos, meus demônios todos aparecem. Minhas decepções, falhas, receios, eles vem todos juntos, e ficam martelando na minha mente sem parar. Não se contentam enquanto não enumeram falha por falha, displicência por displicência. Por um lado é até bom, eu vejo os erros e analiso todos os pontos, e sempre encontro uma solução pra eles. A parte ruim é que eu não me lembro de nada ao acordar.
Falando nisso, a psicologia reversa que eu citei no último post meio que fugiu do meu caminho. As expectativas voltaram com mais força justamente quando não deveriam, e se não fosse por um grande amigo meu me dando uma luz, provavelmente eu já teria surtado mais uma vez diante de uma situação que já me ocorreu há um tempo. Mas felizmente ele me fez lembrar o quanto eu odeio déjà vus. Dih, muito obrigada mesmo por tudo. E eles nunca serão perfeitos como nós. Mas logo eu, que pensava ser Ice Woman, sinto que estou derretendo.
Então é isso. Não se abale quando você achar que as coisas deram errado, até porque você deve estar fazendo como eu, sofrendo por antecipação, e no final não era nada do que sua mente doentia criou pra ti. Ou então você está certo, e as coisas realmente deram errado. Aí... É, vamos manter o pensamento positivo. E parem de perder o tempo de vocês dormindo, e aproveitem a madrugada, porque acreditem, ela foi feita pra ser vivida.


PS: Eu sei que dormir é necessário e blá blá blá. Mas isso não me faz odiar menos.



- Post originalmente escrito em 22/11/10 -