quarta-feira, 29 de agosto de 2012

E não me apareçam mais por aqui!

Depois de estar há basicamente um ano longe do meu filho virtual, aqui estou de volta. E vou confessar umas coisas pra vocês, em 1 ano minha vida mudou da água pro vinho.
Ontem enquanto eu me arrumava pra ir pra faculdade, me deu aquele estalo "Volta com o blog!". Parei pra olhar as postagens antigas e percebi o quanto eu evoluí como pessoa desde o ano passado até hoje. Meu modo de pensar, de agir, de lidar com as coisas, mudei drasticamente, e isso foi de fato muito bom. Agora sim me sinto adulta. Porque quando eu tinha meus 18, 19 anos, eu ainda tinha um espírito muito adolescente, e isso agora mudou. Não relevo mais tanto as coisas como eu relevava, fiquei mais categórica. Tenho como provar isso.
Fiz uma viagem mental esses dias. E, olhando pra trás, lembrei de quando eu ainda morava no meu prédio antigo. As lembranças dele parecem não querer ir embora. Lembrei mais uma vez de tudo o que eu vivi por lá, das coisas que senti, de tudo. E lembrei também de pessoas que eu considerava que iriam comigo até o fim, que eu tinha certeza que a amizade seria eterna, e que agora não significam mais merda nenhuma pra mim. Por mais clichê que possa parecer, à medida que o tempo passa, você começa a perceber quem é quem. Quem vai ser descartável, de momento, e que vai levar a amizade até a morte. Ou além dela. Pessoas que você dava uma moral enorme, e que depois passam na sua frente, olham na sua cara e fingem que nem te conhecem. Pessoas que você julgava amar incondicionalmente, e que agora você sente quase que um nojo de chegar perto por baterem na mesma tecla há uns 30 anos. Pessoas que simplesmente mudam com o tempo, e você acaba se perguntando "ora, porque eu ainda insisto em manter algum tipo de contato com gente assim?". São aquelas pessoas que não vão adiantar sua vida em nada (muito pelo contrário) e que são apenas um peso morto nos contatos do teu celular, ou nas suas redes sociais. Pois é, agora comecei a cortar a porra toda pela raiz. Não faço mais questão de manter perto de mim alguém que eu não confie, e que não faça o mínimo esforço para se manter por perto, nem que seja em nome dos longos anos que nos conhecemos, ou por todas as coisas vividas. Poucas são as pessoas daquela época, dos meus 16, 17 anos, que eu sinto falta, e faço questão de estar por perto. Porque essas, embora distantes, deixaram lembranças boas na minha mente. E são pessoas que quando eu encontrar na rua, eu vou fazer questão de dar um abraço.
No geral, é isso. Pesos mortos do meu passado, estou cortando mesmo. Ex babacas, falsos amigos, gente que eu não preciso do meu lado, que sempre me decepcionou, e até hoje continua me decepcionando. Desses, eu quero distância. Quem é, sabe. E que não me apareçam mais por aqui.

Divagações sobre o passado


passado (pas-sa-do)
adj.
Referente a um tempo já findo; Diz-se de uma coisa que o tempo fez envelhecer, ou deteriorou.
s.m.
O tempo de outrora.

Eu tenho estado um tanto nostálgica por esses dias. Ouço músicas, leio conversas antigas, vejo fotos, sinto perfumes, tudo que me remete a uns anos. E a vontade de voltar no tempo é enorme, queria que alguém tivesse inventado a boa e velha Time Machine pra eu poder reviver dias que foram tão bons na minha vida. Sim, eu sei que de nada adianta querer isso, uma vez que o passado não volta, mas confesso que esses dias ele tem sido o meu refúgio. Por essas semanas minha mente tem sido uma confusão tão grande, eu sinto como se desconhecesse o terreno que eu estou pisando, terreno esse que eu julgava conhecer tão bem. Aí acabo caindo num buraco negro que me remete ao meu passado, onde as coisas não eram difíceis, onde a vida era simples, e eu era feliz assim.
Não reclamo da minha vida agora, pelo contrário. A liberdade que eu tenho agora em nada se compara ao que eu vivia uns dois anos atrás. Mas o fato é que foi há uns dois anos que a minha vida efetivamente começou. E eu sinto uma falta absurda desse início. Do prédio onde eu morava principalmente. Morar em prédio é mil vezes melhor do que morar numa casa. Toda aquela vibe de sair cumprimentando os amigos enquanto se sobe as escadas pra chegar em casa é uma coisa sei lá, no mínimo aconchegante. Hoje me peguei lembrando do meu quarto, todo rosa, com minha cama perto do computador, e de quando eu passava horas e horas na janela tirando fotos do horizonte, compondo músicas, ou simplesmente pensando em tudo o que se passava comigo por aqueles dias. Lembro também das montanhas lá ao fundo da paisagem da minha janela, que faziam o formato de uma mulher deitada. Engraçado como eu sempre me divertia com aquilo. Eu gostava do jeito que o sol entrava pela minha janela à tarde, deixando a porta do meu armário alaranjada, e a forma que a luz da lua iluminava a minha cama de madrugada. Falando em madrugada, sempre gostei de virar as noites escrevendo, vendo tv, ou simplesmente apreciando o silêncio, vício que eu carrego até hoje. Lembro também de quando eu ficava de castigo em casa, e o máximo que eu podia fazer era conversar pela janela com o Diogo. Falando em Diogo, me sinto tão bem de lembrar do início do meu "projeto de banda", três guris com instrumentos toscos tocando na casa do Thi como se não houvesse o amanhã, enquanto o vizinho colocava funks dos anos 70 alto pra cacete. Saudades de quando eu sismava de cantar Poppin' Champagne só com a bateria acompanhando, e de todos os planos que nós fazíamos, tipo ir pra Curitiba, os três, pra poder tocar nas nights de lá, aproveitar o frio sulista e fazer de lá a nossa casa.
Sinto uma descarga de memórias tão forte quando entro no bloco 02, e lembro de tudo o que já aconteceu naquelas escadas, naqueles corredores. Zoações épicas, rolês de skate na garagem, tráfico de bebida pra dentro dos blocos, festas na casa de um amigo que acabavam se estendendo pelo prédio inteiro. E o bloco 01... Ah, o bloco 01. As melhores e piores coisas da minha vida aconteceram no prédio. E as piores coisas acabavam se tornando boas no final. Sinto que se eu pudesse, eu mandaria construir um monumento na frente dele, com algo do tipo "As melhores lembranças da Carol jazem aqui". Cada pessoa que conviveu comigo naquela época me marcou de algum jeito, o fato é que eu nunca vou esquecer nenhum deles, mesmo que a força do tempo desuna um pouco os laços, ela nunca vai ser forte o bastante pra separá-los por completo.
Lembro de coisas simples também, mas que me trazem um certo conforto, do tipo voltar do meu curso de tarde, passar no depósito perto de casa e gastar minhas moedas numa lata de energético, que com certeza faria o resto do meu dia feliz. E também de sair do mesmo curso, e andar sem rumo, simplesmente pensando, pra depois parar no shopping e começar a compor letras com uma lata de Coca-Cola do lado. Inclusive, as letras mais intensas que eu compus até hoje foram feitas quando eu morava no prédio. Onde eu tirava inspiração das situações mais controversas da minha vida, e que acabavam tendo um resultado que me deixava mega satisfeita. Quando as tardes pra mim ficavam completas ao fechar a porta do meu quarto e tirar umas melodias no violão, tendo as letras que citei acima como base. A nostalgia é grande quando eu pego meu caderno de letras e cada palavra do que eu escrevi me remete a memórias que ainda estão vívidas em mim, como se tivesse ocorrido ontem.
Por essas e outras que eu digo, 2009 foi o melhor ano da minha vida. Eu, no alto dos meus 17 anos, dando de fato início à minha vida. Me estressava menos, me importava menos quando as coisas não saíam como o planejado. Meus relacionamentos eram mais simples, eu pensava de modo mais simples. Por outro lado, dava mais soco em ponta de faca, perdia mais meu tempo com causas impossíveis. Mas de certo modo, isso tudo era bom. Era quando eu estava mais próxima de mim mesma. Quando eu era a Carol. E eu sinto falta disso, dessa proximidade minha comigo mesma. Não digo que a minha essência está morta, mas ela se perdeu de mim do ano passado pra cá. Agora eu me tornei uma pessoa que eu não conheço. Alguém bem diferente, que eu não sei dizer se é melhor ou pior, mas que ainda assim não condiz comigo. Mas hoje eu percebi que a minha essência não está totalmente morta, ela havia apenas entrado num estado de coma, e de fato começou a recobrar os sentidos hoje. E depois de ter tirado férias de mim mesma há praticamente um ano, sinto que é chegada a hora de volta a pegar pesado, de voltar a ser eu.
É hora de me dissolver, pra me recompor. Hora de deixar de ser Carolina, e voltar a ser Carol.

- Post originalmente escrito em 08/09/11 -

Inverno


Eu tenho me alimentado meio mal ultimamente. Meu estômago dói constantemente por causa dos litros e mais litros de café que eu tenho tomado. É como se nas minhas veias, ao invés de sangue, corressem cafeína e tensão. Confirmei ainda mais o meu status de pessoa noturna por esses dias. Noturna e insone. Porque a noite me faz pensar. E pensar não me deixa dormir.
Eu nem vou sentar aqui e apontar as (inúmeras) falhas, porque eu já me cansei disso, desisti de ficar me repetindo. Apontar as minhas é lugar-comum, e é muito fácil descer o sarrafo nos outros quando se está de fora. Julgar é bem cômodo e se torna uma válvula de escape alternativa quando a indignação impera.
Não, eu também não vou dizer que foi tempo perdido, nem que está sendo, se é que ainda está sendo algo. Seria sim, se fosse coisa de 10, 20 anos. Afinal, 10, 20 anos são praticamente uma vida. Mas está durando pouco tempo, logo converto em experiência, sabe. É uma questão de forçar uma transformação do ruim para algo bom, e convenhamos que é de certa forma válido tomar mais umas porradas de leve pra aprender como mover as peças corretamente numa próxima vez. Vivendo e aprendendo, ainda que da forma mais complicada possível.
E os planos que eu fiz? De fato, agora eu rio da minha ingenuidade. O que me deixou tão cega a ponto de eu não ver que um dia isso tudo iria descer a ladeira? Foram as palavras, as pseudo-demonstrações de afeto? Será que foram todos os olhares? Não sei dizer. Cacete, agora estou apontando falhas.
É foda você se tornar tudo o que você condena nos outros. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Eu odeio gente relapsa. E sou a mais relapsa que eu conheço. Mas o pior é que eu sou assim justamente com quem eu amo, ou quem eu julgava amar. É, sou muitoeio sadomasoquista sentimental. Mesmo doendo muito em mim ver os outros sofrendo. Sou estranha. Muito estranha mesmo.
E vendo esse panorama, eu vou ficando receosa em sentir qualquer coisa que eu julgue ser boa agora, porém prejudicial pra mim a longo prazo. Assim, eu acabo criando um mecanismo de defesa, que é colocar mais uma vez a armadura de Ice Woman e fazer cara de paisagem pra tudo o que passa na minha frente. Ver que tudo está indo contra, e não me transtornar por nada. O que me deixa tensa é saber que pode aparecer a pessoa certa, e eu não vou saber lidar com ela por causa dessa frieza toda que eu estou impondo involuntariamente em mim. Mesmo que essa pessoa seja você. Mesmo que seja outrem. É como se a cada passo à frente que eu dou, eu fosse aumentando um pouco o inverno dentro de mim. E vai chegar uma hora que eu vou ser só gelo. E não vou conseguir mais sentir porra nenhuma, vou ficar totalmente dormente. Assim como eu estou agora. E eu não quero isso pra mim, eu quero sentir alguma coisa. Nem que seja dor, raiva, vontade de estar perto. O que me deixa quase que desesperada é que eu já não sei mais o que eu sinto por você. O que eu sinto pela gente. Te juro que a culpa disso não é minha. E você não sabe como dói admitir isso. Sim, um dia eu falei que nada me faria desistir disso tudo. Mas cheguei num ponto em que eu não sei mais onde eu estou pisando, não sei mais se o que eu estou fazendo é o certo. Sabe, tudo o que eu queria era um abraço seu. E ouvir "Relaxa, a gente vai passar por isso, vai dar tudo certo. Deixa de ser paranóica". E ter a certeza de que tudo isso o que eu estou sentindo é uma peça que meu subconsciente está pregando em mim. Mas sinceramente, eu não creio que seja isso que está acontecendo. Porque ao mesmo tempo que eu não quero ir, eu sinto que se eu ficar a tendência é a situação ficar cada vez mais insustentável, aos poucos. E vai chegar num ponto onde eu vou acabar explodindo, ou vou querer desaparecer assim como eu apareci. Do nada.
Mesmo estando totalmente pessimista quando a isso tudo, e ostentando um discurso completamente derrotado, eu ainda tenho uma ponta de esperança que isso seja só uma fase escrota. E se não for, bem, o script vai ser o mesmo de sempre. Só me basta segui-lo mais uma vez.

Foda é que eu tinha prometido pra mim mesma que eu não iria escrever porra nenhuma. Que iria seguir o flow. Pois é, mais uma promessa pro Hall das que eu não cumpri. Não foi a primeira, e nem vai ser a última.

- Post originalmente escrito em 21/06/11 -

Divagações sobre relacionamentos

relacionamento (re-la-ci-o-na-men-to)
s.m.
Ato ou efeito de relacionar. Amizade, intimidade: travar relacionamento com alguém.

Pois é, eu já falei sobre tanta coisa nesse blog, até já deixei minha veia mais poética transparecer um pouco com posts de supostamente ficção, e agora volta o momento de expor minha opinião sobre fatos aleatórios. E nada melhor do que aproveitar esse momento pra falar deles, os famigerados relacionamentos, que podem muito bem ser o seu céu - ou o seu inferno.
Relacionamentos por si só já não são uma coisa muito fácil (dependendo do seu jeito de agir para com os outros, claro). No início tem a sua família (agradeça bastante se seu relacionamento familiar for bom, falando nisso), onde você tem que lidar com pai e mãe dando ordens, querendo impor a maneira deles de pensar/agir, e muito provavelmente irmãos que também querem te dar ordens. Logo aí você já tenta se moldar pra poder construir uma relação boa e respeitosa com eles, respeitando limites alheios e as diferentes ideologias, o que muitas vezes é longo e difícil. Você cresce, e aí começa a conhecer pessoas novas, logo várias amizades surgem. E com elas, a questão de se adaptar aos mais diferentes tipos de personalidades, ou simplesmente não se adaptar, o que acaba gerando as inimizades. Com essa farra do boi de amizades, personalidades e inimizades, já começam as confusões sentimentais que vem de brinde com os relacionamentos que vão se formando gradativamente. Até que aparece o tipo mais letal de todos: os relacionamentos amorosos. E é sobre eles que vai ficar meu foco nesse post.
O fato é que não há ninguém melhor pra falar de relacionamentos amorosos (que NÃO dão certo) do que eu. Ok, eu não tive lá muuuitos namoros até hoje, nem muitos "quase-namoros", mas pra 19 anos de vida, a bagagem que eu tenho já dá pra me deixar certa de uma coisa (por favor, perdoem meu latim agora): eu só me fodo quando o assunto é amor. É sério, não tô dramatizando. Todos os relacionamentos tidos até então terminaram. Um de uma forma mais tosca que a outra. O que me leva a crer que das duas uma, ou o problema sou eu, ou ninguém é tão bom ao ponto de conseguir prender minha atenção por mais de um mês.
Momento réplica: "eu só me fodo quando o assunto é relacionamento", porque na verdade eu nunca amei ninguém. E quem disser que o problema sou eu, vai levar um tiro na cara, vou logo avisando.
Ok, ok, eu não vou culpar só as escolhas erradas que eu fiz. Até porque se tivessem existido escolhas certas, elas teriam durado um bom tempo, correto? Enfim, eu sou aquele tipo de pessoa que se o infeliz com que eu estou não for MUITO FODA, é certeza de que eu vou enjoar em umas duas horas. A pessoa tem que sei lá, se desdobrar em mil e ser praticamente perfeita (nessa perfeição inclui não se importar com meu vício em café, me dar espaço e aturar meus surtos de guria paranóica/blasé com um sorriso no rosto). Eu sei, ninguém é perfeito. Mas eu não sei o que rola, parece que ninguém é o bastante pra mim, aí eu infelizmente vivo nessa, enjoando rápido das pessoas.
E o que me deixa mais intrigada comigo é o fato de o script até hoje ter sido o mesmo: se a pessoa gosta pra caralho de mim, demonstra de tudo quanto é modo que tá mega afim de mim, isso me deixa saturada logo de início. Agora, se eu começo a gostar da pessoa, começo a me doar, a fazer tudo por ela, o protocolo é óbvio: essa pessoa no início vai corresponder às minhas expectativas, mas uma hora vai me fuder a vida. E foi exatamente assim, desde sempre. E pelo visto, vai ser assim por um bom tempo.
Já passei por gente que fazia de tudo por mim, do tipo de me mandar mensagens no celular enquanto eu tava em Rio das Ostras umas 10h da manhã com infinitos níveis de "s2" e "Te amo", gerando uma zoação colossal da parte dos meus queridos familiares, já namorei gente bem mais nova, que por causa dela eu também fui colossalmente zoada por toda minha rede de amigos, já estive em situações mega bizarras por causa de gente filha da puta e que não merecia nem um milésimo de tudo o que eu fiz, já fui tão usada, já usei pra caralho, já fui bem filha da puta, assim como já foram e muito comigo, já fugi de muita gente por quem eu criei expectativas monstro e que no final não eram nem lá essas coisas, já descobri que traí um ex no mesmo dia em que fui traída (traição sincronizada, uhul) e também já fui traída por gente que ok, não vou dizer que nunca pensei que fosse, mas sei lá... gente que de forma alguma eu queria que me traisse. Sabe quando você tira a roupa de implacável e heartbreaker, faz de tudo pra dar certo, e no final você toma uma rasteira dessas? Pois é, eu também já passei por isso.
É que chega uma hora que fazem contigo o que tu já cansou de fazer com os outros. Boa e velha lei do retorno.
Mas o fato é que eu já superei isso tudo. E o mais intrigante de tudo isso é que a única pessoa que no momento é ex, e que eu mantenho contato foi quem eu pensei que sairia da minha vida com a mesma rapidez que entrou. Porque a galere com quem eu mantinha uma certa amizade, e que teve um relacionamento comigo, ainda que rápido, já rodou com distinção e louvor.
Mas querem saber, pequenos padawans? Relacionamentos são letais? Sim. São cansativos? Sim. Mas vou dizer pra vocês, são bons. Mesmo passando por várias coisas ruins (o que é inevitável), você supera. Eu por exemplo, já superei tudo de ruim que eu passei (e te garanto que não foi pouca coisa), e mantive por perto só quem de certo modo importava (pois é... só 1 jedi). E como eu costumo dizer, dar inicío a um relacionamento é como construir uma casa muito foda, com tudo o que você precisa, mas bem em cima da falha de San Andreas. E tudo o que você tem a fazer é ficar ali, aproveitando ao máximo os momentos, a espera do terremoto, que a princípio pode parecer ser iminente.

E quando você dá sorte, o terremoto nem vem.

- Post originalmente escrito em 01/04/12 -

Dog days are over

Então você teve o disparate de achar que ia ser fácil de novo dessa vez?
Eu sei que você pensou que ia ser igual às outras muitas vezes: eu seria idiota ao ponto de te aceitar de volta. Tudo voltaria a ficar bem entre a gente. Eu acreditaria em você de novo. Você faria mais uma vez as merdas que você não se cansa de fazer. Eu iria embora. Depois de um tempo, você voltaria pedindo perdão, dizendo que não há necessidade de tal coisa. E eu estaria aqui, de braços abertos, te perdoando e agradecendo por estarmos voltando aos velhos tempos. E aí eu seria idiota ao ponto de te aceitar de volta.
Errado, meu amor. Agora as coisas são do meu jeito.
Seria cômico se não fosse trágico o fato de você ser tão previsível. O script já estava todo feito na minha mente: você foi embora, mas uma hora voltaria. JACKPOT! Eu tinha que ter apostado isso com alguns amigos, ainda levaria um dinheiro no final.
Às vezes eu fico me perguntando o que se passa na sua cabeça, pra você chegar ao ponto de achar que eu ia passar pela mesma coisa contigo várias vezes, e em todas elas eu ia ter a mesma reação. Eu te acostumei mal, meu amor? Eu criei na sua mente uma utopia onde eu estaria aqui pra sempre? Ah, claro. Eu lembro do dia em que eu te falei isso. Mas eu oficialmente retiro minhas palavras. Sinceramente, você não vale meus minutos preciosos, você não é o bastante pra ocupar minha mente. Não vou ser clichê ao ponto de dizer que o tempo que eu estive contigo foi perdido. Pensando bem... A partir do momento em que eu não tirei praticamente nada de bom dessa relação bizarra, foi tempo perdido sim. E que fodam-se os clichês.
O mais interessante é que dessa vez eu não passei por nenhum momento muito difícil, sabe. Só senti aquela puta raiva, claro, no tal dia onde você mais uma vez me provou o pouco que você vale. Depois disso, as coisas fluiram de um jeito sutil e fácil. Eu me perdoei por mais uma vez ter ido contra a minha natureza e ter sido trouxa de achar que só eu estar por perto ia te fazer mudar. Mas pelo visto não, né? E depois disso, não ficou nada. Nem a raiva que eu senti, nem saudade, nem vontade de te ligar, nada mesmo. Dormência total. E eu estou bem como eu nunca estive até então, agora eu me sinto realmente viva, sem nada que fique me puxando pra trás, nada que me faça perder horas de sono me perguntando onde eu errei. Até porque só agora eu descobri onde foi meu erro: lá no início, quando eu achei que poderia ser interessante ter algo contigo. Mas agora eu reconquistei toda a minha sanidade e bom senso que eu tinha perdido assim que te deixei entrar na minha vida.
Sabe, quando eu vi que você queria uma outra segunda chance, a vontade que me deu foi de rir. Mas não rir de deboche, e sim rir por causa do choque que eu tomei. O que te levou a pensar que eu ia ter deixar voltar mais uma vez? Sinto lhe dizer que minha época masoquista já foi embora. Eu sofri por você mais do que muita gente já sofreu em muito mais tempo. E no final, foi muito esforço, muito sofrimento, muita dor, muita vontade de sair distribuindo socos por aí por nada. NADA. Mas você fez o que quis, judiou de mim até a última instância, mas isso foi bom. Porque agora, eu voltei muito mais forte. Forte o bastante pra te dizer adeus pela última vez e me sentir mais leve depois disso. Forte o bastante pra não sentir mais a sua falta. Então agora pegue todo o seu cinismo e vá despejá-lo em alguém que o queira.
Bem, acho que era isso o que me faltava dizer, ainda que nada do que eu tenha dito aqui seja novidade pra você. Entenda que não se pode ter tudo. Você me sacrificou por algo que todos sabem onde vai dar. Não há ninguém mais pra te culpar por tomar as piores decisões do que você mesma. Então aproveita essa sua decisão e me esquece de uma vez por todas. Assim como eu já te esqueci.
Todas as pessoas que entram na minha vida, me perdem do mesmo jeito. Será que o problema sou eu? Será que eu ativo o botão "Apague a sanidade da sua mente e faça merda" nas pessoas? Isso é algo que eu nunca vou saber. Mas o fato é que oficialmente meus dias de cão terminaram. E os seus, meu amor... Ah, os seus estão só começando.

Redemption, at last.

- Post originalmente escrito em 16/03/11 -

Depois do capuccino


Mais uma vez eu me encontro aqui no seu quarto, sentado na beira da sua cama, com o mesmo cigarro de sempre entre os dedos e fazendo as mesmas coisas que eu tinha me convencido de que não faria mais. Porque é tão complicado colocar na minha mente que você não é a pessoa certa pra mim? Porque eu posso muito bem pagar de blasé, e fingir que não dou a mínima pro que você sente, pro que eu sinto. Na verdade, eu só posso tentar ficar indiferente quanto ao que eu sinto, uma vez que eu nunca soube qual era a tua. Ficamos um bom tempo juntos (seis meses, um  ano, quanto foi? já não importa mais.), mas mesmo assim eu nunca fui capaz de te decifrar.
Sabe, é tão fácil apontar as falhas depois que o fim chega, não é mesmo? Então eu vou me rebaixar a esse nível e começar a apontar os seus erros. Erros esses que me saturaram e que consequentemente ditaram o nosso fim. Não vou me eximir da culpa, eu posso ter errado em uma coisa ou outra, e mesmo você querendo me rotular do que quiser, eu continuo insistindo: eu beirei a perfeição. Fiz tudo o que eu podia e não podia por você, pra no fim receber esse feedback. E agora eu estou aqui, sendo usado como seu mais novo brinquedinho enquanto ele não está por perto. Pior do que isso é se ter a exata noção dessa situação, e entrar nesse jogo sem reclamar. Mas fique ciente, meu amor, que seu castelo está com os dias contados pra implosão.
Por onde eu começo... Ah. Me diga, de uma vez por todas: te provar que eu poderia ser tudo o que você precisaria e até mais do que isso não foi o bastante? Fazer o possível e o impossível pra colocar um sorriso no seu rosto era pouco perto do que você achava que merecia? Sim, eu poderia ter sido perfeito pra você. Ter suprido todas as suas necessidades, te feito feliz. Você mais do que ninguém sabe disso, era só você dizer as palavras certas que eu iria até o fim por você. E isso acaba nos levando a outra pergunta: pra que tanta auto-destruição? Acho que se eu não tivesse passado por tanta coisa, eu me chocaria com essa sua vontade mórbida de correr atrás do que te faz sofrer. E pior ainda, de quem te faz sofrer. Pra que continuar dando soco em ponta de faca, uma vez que não só eu como tantas outras pessoas já te mostraram por mais de uma vez que eu poderia ser a solução pra todos os seus problemas? Você, como tantas outras que passaram na minha vida, flerta com a dor de um jeito muito doentio.
E você está ali, deitada atrás de mim, olhando pro alto de um jeito aéreo que eu te confesso achar lindo no início, mas que agora eu odeio. Será que você está pensando nele? Eu não sei. Mas provavelmente, na sua mente você deve estar me maldizendo, pensando no quanto eu me acho prepotente, dono da verdade. Sim, eu sou isso tudo. Sou tudo o que você disser que eu sou, prepotente, dono da verdade, mal caráter, insuportável, infame. Mas pelo menos sou sincero. E tenho certeza de que você sabe que tudo o que eu digo é verdade. E sim, por trás desse olhar aéreo deve morar uma vontade imensa de pular no meu pescoço e me matar do pior jeito possível. Ah, antes que eu me esqueça, quero te lembrar que eu guardei cada palavra que você me falou. CADA PALAVRA.
A verdade dói, não?
Vamos colocar as cartas na mesa? Eu nunca te fiz chorar, nunca te fiz ficar pra baixo, em momento algum fui o motivo pra alguma decisão drástica ser tomada. E quantas e quantas vezes eu tentei colocar uma luz na sua cabeça, abrir seus olhos, te mostrar que o caminho que você decidiu trilhar não ia dar em algo bom? Isso aí, milhares de vezes.
Mas chega uma hora em que bate o cansaço de tudo. De ficar malhando em ferro frio, de ficar perdendo o precioso tempo tentando correr contra o tempo pelos outros, de ficar sucumbindo a joguinhos que só fodem a mente. Não foi só uma vez que eu te estendi a mão. Mesmo querendo negar, você sabe muito bem que de forma alguma eu queria que as coisas chegassem a esse ponto. Mas se você quer se destruir, se embrenhar de uma vez por todas nesse caminho onde notoriamente o seu final vai ser ruim, não vou mais ser eu quem vai te fazer mudar idéia. Pode ter certeza de que você não vai me levar pra baixo junto. Sinto lhe dizer que nessa você vai sozinha. Não é que eu seja fraco. Eu apenas me cansei de sofrer te vendo sofrer.
Talvez se um dia você se tornar alguém com menos atração por quem te machuque, e mais atração por quem possa te completar se você se permitir, a gente volte a conversar sobre nós. Enquanto isso não acontece, eu tiro meu time de campo.
E só pra constar, o sexo ainda continua incrível.

- Post originalmente escrito em 06/03/11 -

Um café quente, por favor. E um coração, esse pode ser frio.

"Eu tinha jurado pra mim mesmo que eu não ia cair no mesmo erro duas vezes."
Esse foi o pensamento que ecoava na minha cabeça quando eu entrei no café, tirando meu casaco e indo direto pra minha mesa cativa, lá no canto, do lado da janela. Me sentei mecanicamente, como eu sempre fazia, e a atendente veio com mesmo sorriso no rosto só pra confirmar o que eu sempre pedia.
- Capuccino grande de novo?
- Exato. - Tentei sorrir por causa da simpatia dela, mas acho que não obtive muito êxito.
Vi a garçonete partindo, meus olhos se desfocaram um pouco e voltaram ao foco segundos depois. E os pensamentos gritando na minha mente. Como eu pude ser tão masoquista ao ponto de insistir em algo que eu sabia que não daria certo? É como dizem, ninguém muda. Eu não mudo, você não muda, a atendente não muda, o cara que vai fazer meu café não muda. Ninguém muda. Triste é aquele que acha que isso pode acontecer. As mudanças são nada mais que um placebo, uma máscara que você veste num momento em que você precisa usar algo ou alguém, pra alcançar uma coisa que está além do que a sua personalidade atual pode aguentar. Daí vem a falsa "libertação", a falsa "nova era", a falsa motivação vinda de sabe-se lá onde. Mudanças tem prazo de validade. Assim que você consegue o que você quer, você volta a ser o que nunca deixou de ser. Volta a ser a mesma pessoa infame, sem vida, apática. Volta a ser a sua essência, por mais podre que seja. Enfim, ninguém muda.
Ok, ok. Eu não sou tão inocente assim. Eu sei que você nunca mudou, e que nunca mudaria. Eu sei que uma vez uma puta, você vai sempre ser uma puta. E eu também nunca tive intenção de salvar ninguém, muito menos te salvar, longe disso. Mas como eu posso lutar contra meu consciente, esse maldito que me força a acreditar em palavras doces, em futuros bonitos, em promessas plantadas em pântanos? Ainda que meu subconsciente estivesse tentando me alertar de todas as formas, ele estava sendo sufocado pelo meu consciente, que era mais forte, mais torpe, mais sórdido, mais ácido.
- Aqui, seu capuccino. - Xícara na mesa, olhar de "eu quero tanto sua atenção" no rosto da atendente.
- Ah, obrigado. - Sorriso no canto da boca, um gole.
Talvez eu tenha dado atenção ao meu consciente por ele ser como eu: forte, torpe, sórdido, ácido. E por causa disso mais uma vez meu final foi o mesmo. Sabe, eu às vezes me pergunto em mais quantos pedaços um coração pode ser quebrado. Você vai lá, cata os pedaços do chão, tenta colar tudo de uma forma bizarra, e quando a sua situação está mais ou menos resolvida, você paga de super herói e dá a cara (ou melhor, o coração) a tapa mais uma vez. E adivinha? Ele fica quebrado em mais pedaços que antes. Pedaços menores, e menores. Sendo que dessa vez, quando você for catá-los de novo pra poder remendar, alguns pedaços menores vão se perder pelo caminho. E seu coração nunca mais fica completo.
Outro gole. "Acho que meu café vai começar a esfriar."
E ficando nessa de deixar os outros brincarem de Evander Holyfield vs Mike Tyson com seu coração, você vai se debilitando. Começa a não acreditar mais nas intenções das pessoas, por melhores que elas possam parecer, começa a desconfiar de todo mundo. Começa a não ver mais gestos bonitos com os mesmos olhos que você via quando seu coração estava lá, completinho, zero bala, com um cartel de zero perdas, zero vitórias e zero empates. Depois de tanto tomar surra do mesmo oponente, você começa a perceber das duas uma: ou as pessoas superestimam o amor, ou você está indo por um caminho completamente errado.
Mais um gole. "Já está bem menos quente do que antes. Será que é por causa do frio?"
Sim, mais uma vez eu levei um golpe. Mais uma vez eu pensei que apenas a minha presença e te dizer coisas sinceras seria o bastante pra te trazer de volta. Mas agora eu vi o seu jogo: você gosta de sofrer. Você gosta de viver mentiras. Você gosta de estar num nível abaixo do que o de todas as pessoas que já apanharam muito, e tiveram o coração quebrado em minúsculos pedaços, e que agora não conseguem mais tê-los completos. Você gosta da dor. E no início eu fiquei puto comigo mesmo. Puto por ter seguido mais uma vez o caminho que eu já tinha percorrido tantas vezes, e que eu sabia que o final não era nem de longe doce. Mas isso foi só no início, só nas primeiras horas. Porque depois, eu te juro, depois eu tentei sentir qualquer coisa por você. Raiva, vergonha, decepção, angústia. Até pena. Eu te juro, eu tentei. Mas o que me deixa mais feliz comigo mesmo, e o que me faz ver cada vez mais o quando você é desprezível, é que eu me senti dormente. Não consegui sentir nada quando o seu nome veio na minha cabeça. E quando você voltar, porque eu sei que você vai voltar, acho que você já sabe qual a resposta que você vai ouvir.
"Ah, meu café esfriou."
E meus sentimentos também.

- Post originalmente escrito em 24/02/11 -

A Rainha de Copas

Você é capaz de se lembrar de quando você mantinha o foco?

Sua vida era boa. Você sempre teve tudo o que quis, seus amigos eram os que todos queriam, você vivia em uma casa legal, tinha um quarto só seu, seus pais sempre te apoiaram do melhor jeito possível.  E você era promíscuo, você consegue se lembrar? Garotas iam e vinham tão rápido quanto os minutos corriam. Você não dava uma chance pra ninguém, seu coração era tão frio. E a vida pra você era só aquilo: beber, fuder, sair. Tratar quem queria um relacionamento contigo como lixo provavelmente era um dos seus esportes favoritos. Era o medo de sentir-se preso a alguém? Era o medo de amar a alguém mais do que ama a você mesmo? Você não sabe. Ninguém sabe, na verdade. Mas você achava que esse era o caminho certo, até todas as suas teorias sobre “apenas uma noite” irem por água abaixo. Porque todos sabem que um dia AQUELA pessoa aparece. E quando isso acontece, seu mundo fica contorcido.

Você é capaz de se lembrar de quando você não tinha nada a perder?

Agora é diferente, certo? Você a conheceu. Você achou que ela seria apenas mais uma carta no seu baralho, apenas mais uma foda fácil que você conseguiu sem muito esforço. Bem, você não estava tão errado. Ela realmente era uma carta. Uma Rainha de Copas. Provavelmente você vai entender o que eu estou falando mais tarde.

Você é capaz de se lembrar de quando você achava que estava dos dois lados da cerca?

Isso mudou. Tudo mudou. A insônia te disse olá, vestido vermelho, salto alto, e um decote que faria qualquer alma viva na Terra cair de joelhos. E agora ela é sua melhor amiga. Dormir é quase uma batalha agora. Você simplesmente não consegue descansar sua cabeça no travesseiro, porque é quando seus demônios vão aparecer pra dizer oi pra você. E tudo o que você daria seu mundo pra não lembrar volta com tudo. Agora é tão dificil se concentrar, estudar, trabalhar, isso tudo virou um esforço tão grande pra você, seus punhos estão tão cansados de lutar contra essa situação. Mas seus amigos te animam, eles dizem que essa confusão vai terminar logo, e que você vai terminar rindo desses dias. Eles não tem a menor idéia de que você pouco se fode pra risadas, você só quer uma xícara grande de café, alguns cigarros e que essa maldita dor pare.

Você é capaz de se lembrar de quando você dizia que era feito de gelo por dentro?

Parabéns, essa teoria acabou de se desfazer. Eu me pergunto se você pode perceber que você não consegue mais pensar individualmente. Você quer estudar, pra obter mais conhecimento e alcançar coisas melhores com ela. Quer trabalhar pra fornecer uma vida melhor pra vocês dois. Quer comprar uma casa pra libertá-la da prisão que os pais dela estão mantendo-a. Não existe mais “eu” dentro da sua cabeça. Apenas “nós”, “nosso”. E você sabe mais do que ninguém que isso é absurdo, é ruim, que não é dessa maneira que as coisas deveriam ser. E você, que sempre gritou que individualidade deveria ser a coisa mais respeitada de todas, está virando um puta paradoxo ambulante. Coerência te mandou lembranças. Agora você diz que quer sua vida solitária de volta, mas por dentro você sabe que não é assim. Toda essa dor, todo esse sofrimento está te fazendo querer mergulhar mais e mais nessa situação.

Então, depois disso tudo, eu quero que você olhe no fundo dos meus olhos e apenas me responda:

Você é capaz de se lembrar de quando você mantinha o foco?

PS: se você, como eu, acha que tudo em inglês fica mais legal, dá uma olhada nesse texto originalmente escrito em inglês: http://tinyurl.com/66utzw7

- Post originalmente escrito em 18/01/11 -

Divagações sobre uma analogia

Quando eu era mais nova, eu lembro que eu odiava chuva. Pra mim dias ensolarados eram tão lindos, e quando eu via alguma nuvem mais escura no céu, eu torcia por dentro pra ser uma coisa passageira e não acabar com a beleza do céu totalmente azul. E quando o tempo ficava nublado, eu ficava meio pra baixo, torcendo mais ainda pra que aquilo passasse logo, e o sol voltasse. Eu não tinha noção de que depois de um período com muito sol, sempre vinha a chuva. Pra mim os dias poderiam ser todos ensolarados.
Eu também não acreditava que coisas muito ruins aconteciam. Eu reconheço que eu criei uma espécie de utopia pra mim mesma quando eu era mais nova. Onde os dias eram sempre ensolarados, e não existia a chuva, e muito menos as coisas ruins. Não sei se era porque naquele tempo eu não precisava ter muita responsabilidade (e nem tinha, na verdade) que eu tinha essa ilusão de que com o menor esforço as coisas se encaixariam, que o que parecia começar a ficar ruim melhoraria em dois tempos. Creio que foi por eu ter sido subliminarmente criada numa redoma de vidro que essa impressão me iludia, parecendo ser eterna: tudo sempre virá fácil, só estender a mão que em dois segundos eu vou ter o que eu quero.
Nada disso.
Aí eu cresci. E passei a entender a chuva. Os dias ensolarados não tem mais tanta graça pra mim. Não que eu não goste deles, gosto e muito, mas não existe nada mais interessante do que ver o sol sendo encoberto aos poucos pelas nuvens cinzas, deixando o céu vagamente escuro, e a brisa gelada começando a correr, colidindo com o seu corpo relaxado na varanda, com uma xícara grande de café do lado e os problemas, frustrações, todos sendo levados embora pela chuva caindo à sua frente. Eu passei a ver os dias nublados com mais simpatia, e assim com a vibe da madrugada é muito mais interessante que a vibe da manhã, agora eu admito que a vibe dos dias nublados é incrivelmente melhor do que as dos dias ensolarados. É estranho, quase uma questão de me sentir mais viva, me sentir mais disposta. Eu aprendi a me sentir bem com o céu sem luz alguma, ou com pouca luz por trás das nuvens menos densas. E também aprendi a conviver bem com meus erros, com as minhas falhas. Afinal, eles são uma bagagem e tanto pras futuras vitórias. Aprendi também que nada vem fácil. E se vem fácil, vai fácil. Não há maneira melhor pra aprender a dar valor pras coisas e correr atrás delas do que batalhando, do que se privar de coisas até então julgadas grandes, mas que na verdade são pequenas se comparadas a um bem maior a ser buscado. Aprendi que as coisas boas sempre chegam, mesmo quando a espera começa a ficar cansativa, e que se empenhar e aprender a cortar perdas, definir prioridades dentre as prioridades e manter o foco pode ser o mais díficil, porém o primeiro passo pra sublimação. E, obviamente, aprendi também que as coisas ruins estão aí pra poder tentar quebrar as nossas pernas. Mas o fato é que, assim como os momentos felizes, os ruins também passam. Então o que nos resta é torcer. Torcer pra que o sol volte logo, ou dependendo da concepção, pra que as nuvens densas encubram lentamente o sol, deixando o céu vagamente escuro, e sentir a brisa gelada correr.

- Post originalmente escrito em 18/01/11 -

Divagações sobre 2010

É... Mais um ano passando aí. Meu 19º reveillon tá chegando, não sei se fico felizona por isso ou se fico tensa por isso ser um sinal que 2012 tá chegando muito rápido e vai todo mundo rodar (brinks, eu não acredito nisso do mundo acabando em 2012), mas o fato é que nesse ano rolou muita coisa mesmo. Não que nos outros anos não tenha rolado (até rolou, mas minha memória não me permite lembrar) mas 2010 foi o ano mais saturante de todos. Em todos os sentidos. Sem mais delongas, vamos pro resumo do coquetel molotov que foi 2010 pra mim.
2010 foi um ano de muitas mudanças pra mim. Não, eu não tô apelando pro clichezão, foi um ano de muitas mudanças mesmo. A começar logo por janeiro, mais precisamente dia 9, que foi quando eu oficialmente me mudei de casa (me mudei SEM EU SABER, vale lembrar). Deixei pra trás 11 anos de muita história no meu prédio antigo. Assim, cada parede, cada degrau de escada, cada pedaço do chão em que eu andava de skate ilegalmente daquele prédio guarda uma carga de lembranças minhas tão grande. Eu digo pra quem quiser ouvir, não é novidade que eu passei pelas melhores - e piores - experiências naquele prédio. Então quando eu vi que eu tava numa casa até que legal, com gente interessante morando por perto, mas sem os parceiros que faziam os meus dias mais felizes, sem os ensaios aos domingos da minha banda, sem as intrigas que rolavam, sem tudo aquilo que foi a base da minha adolescência, eu me senti meio perdida. Muito desesperada, e perdida. A adaptação foi dificil - só agora que eu estou começando a me sentir confortável aqui - mas o fato é que eu gostaria muito de voltar pro meu prédio antig. E ir lá pra baixo todo dia às 16h. E ouvir minha mãe me gritando da janela quando eu desaparecia do campo de visão dela. E ir jogar videogame e beber o melhor capuccino ever com o Leandrinho. E ser acusada de traficar bebidas pra dentro dos blocos. E fazer milhões e milhões de merdas pelas escadas e na garagem. E sei lá... Ser feliz.
Aí foi isso, me mudei em janeiro, e me manti tão desesperada, que não consigo lembrar de NADA do que eu fiz até abril. Em maio conheci tanta gente babaca que cacete, prefiro até apagar esse mês da minha mente. E junho foi um mês mais escroto ainda, porque dentre outros fatores, depois de sucessivas crises renais e aliens aparecendo misteriosa e bizarramente na minha barriga, eu fui oficialmente notificada de que eu teria que fazer uma cirurgia. Meu ureter esquerdo estava entre uma artéria que nasceu erroneamente bifurcada, herança do meu pai. Passei junho e julho me preparando. Em agosto, 5 dias depois do meu aniversário, lá estava eu recebendo o [ironia]melhor presente de todos[/ironia]: no hospital, às 6 da matina com aquela roupa azul que é um fashion disaster e uma enfermeira do meu lado, me dando um comprimido igualmente azul (que eu fiquei me perguntando se aquilo não era Viagra) que me deixou MUITO louca mesmo. Segundo relatos da minha mãe, depois que eu tomei o tal comprimido, eu fiquei rindo que nem uma louca e me despedi dela e do meu pai com um "é nois" antes de ir pra cirurgia. E o que mais dói é que eu não consigo lembrar de nada disso. Fiquei num quarto com uma senhora que tinha câncer. Era o terceiro câncer dela, na bexiga. Ela também já havia passado por um câncer de mama e um no rim. E Deus, como ela sofria. Acho que os dois dias que eu fiquei no hospital foram os piores da minha vida, não pelo meu pós operatório ter sido um pouco doloroso, e por eu ficar chorando que nem uma louca querendo ir embora, até porque iss não era NADA perto do que ela passava. Ver tudo o que estava acontecendo com aquela mulher me fez ver que  meu problema no rim não era nada de mais, mesmo passando pelas crises tensas, mesmo parecendo que tinha algo me cortando por dentro a cada vez que meu rim gritava. Depois voltei pra casa e não sei que fim ela levou. E eu pensei que eu fosse uma pessoa mais forte.
Agosto foi um mês praticamente perdido. Passei ele quase inteiro deitada, até rir doía, foi muito tenso mesmo. Mas em setembro eu já estava muito bem de novo, o que não me matou (de dor) me fortaleceu, e minha recuperação foi muito rápida. Em outubro eu já estava 100%, e digo com todas as letras, foi em outubro que meu ano realmente começou. Logo de cara parei de falar com praticamente metade das pessoas que eu conhecia, algumas delas MUITO importantes, que eu só percebi a falta que faziam depois. Adotei o estilo do "my way or the high way" e literalmente toquei o foda-se pra tudo, foi uma fase muito revolts. Aí no meio de outubro conheci a galere do B.C.X., por intermédio do meu primo, guris que nossa, se não fosse por eles eu estaria mega sem rumo hoje. No fim de outubro teve Rio Anime Club. Aí... Ah cara, aí sim minha vida começou a voltar pros eixos. Novembro foi o melhor mês, sem sombra de dúvidas, o mês em que eu estive mais focada em todo o ano, o mês em que eu finalmente decidi o rumo que eu queria pra minha vida. E dezembro tá sendo o mês das minhas principais conquistas até então, consegui quebrar vários obstáculos internos. Aí sim, meu ciclo ficou totalmente completo.

Enfim, depois de ser trollada com vigor de janeiro a setembro, outubro, novembro e dezembro valeram pelos 9 meses anteriores. Ok que dezembro também foi mega troll em certos períodos, mas tudo o que eu consegui alcançar nele valeu pelas trolladas random que eu fui submetida. 2010 poderia ter sido melhor? Com certeza. Eu mudaria muitas coisas que eu fiz lá pro começo do ano, teria pensado duas vezes antes de tomar certas decisões, mas sei lá, todo mundo faz gordice de vez em quando, e eu não sou perfeita (por mais que eu discorde disso -qn). Mas tudo o que eu passei serviu de aprendizado, claro. E 2011 vai ser o ano em que EU VOU TROLLAR TODO MUNDO /trollface.

Eu espero 2011 seja infinitamente melhor que 2010, porque parece que esse ano foi um ano muito merda pra praticamente todo mundo que eu conheço. Então resumindo, desejo um puta 2011 pra todo mundo. Com muitas putas, iates, correntes de ouro com diamantes, casacos de pele, charutos e Chandon. E crianças, não usem dorgas. Só às sextas-feiras.

- Post originalmente escrito em 30/12/10 -

Divagações sobre aleatoriedades


Mais de um mês que não apareço por aqui. Tempo escasso, falta de inspiração, eu tenho por volta de um milhão de álibis pra explicar minha ausência. Mas eu não sou do tipo que fica feliz em dar muitas explicações, então vamos nos ater à minha volta. Sério, vou tentar manter um critério, um post por semana, um post a cada 15 dias, um post a cada mês... Na verdade não importa, sempre que eu tento seguir um padrão acaba saindo tudo do jeito que eu não queria, então os post vão continuar sendo publicados de forma random. Sem mais pareceres, vamos ao que interessa.
A minha intenção era escrever um post foda, quase Shakespeariano. Eu tinha o tema na minha mente, mas eu fui almoçar e esqueci TUDO o que eu ia escrever, inclusive o tema. Não sei porque isso aconteceu, mas uma vez que eu queria escrever algo, mas não sabia (no caso, não me lembrava mais) o que, decidi fazer um balanço desse período que eu fiquei distante daqui, pra suprir a falta de mais um post.
Aconteceu tanta coisa interessante nesse pouco mais de um mês após o último post, que eu sinto como se tivesse evoluído (em todos os sentidos. todos.) mais nesses dias do que em 19 anos. Porque depois de um início de ano meio conturbado e uma cirurgia tensa em agosto, nada mais justo do que meu ano terminar bem. E mais do que bem, eu não lembro de ter tido um fim de ano tão foda como o que eu estou tendo agora. (Nota: se levarmos em consideração que a minha memória é tipo, bem limitada, é bem óbvio dizer que eu não me lembro de um fim de ano tão foda quanto o atual. O que eu almocei ontem mesmo? Ah, esquece.)
Pra começar, mais uma vez eu provei que quando eu digo que eu estou certa, eu ESTOU certa. Sério, eu não falo isso pra pagar de fodona nem nada do tipo, mas é verdade. Eu vejo a situação vindo, eu alerto as pessoas (alertava, na verdade. Vide "Divagações sobre o tempo perdido e afins"), mas quem me ouve? Ninguém, devem pensar "Carol se acha a dona da verdade, mas nem tem essa moral toda". Mas e agora, como que estão as coisas? Quem é que estava sempre certa desde o começo? É, eu. Meu ego nem foi massageado, ele foi praticamente masturbado quando eu vi que acertei de novo. Eu tenho meio que um radar foda pra situações que são nitidamente um prelúdio ao fracasso. Quem me escuta, se salva. Quem me ignora e insiste, bem... O resultado esta aí.
Previsões do futuro á parte, o fim de setembro e o mês de outubro tiveram um gosto especial pra mim. Não sei se foi por causa das coisas que eu fiz, ou se foi pelas pessoas que conheci, o fato é que eu não me sentia tão bem e tão próxima de mim mesma até então. E desde então eu venho sentindo uma coisa mega bizarra, uma sensação tão boa e intensa que chega a doer, que me queima por dentro, sabe?
Uma coisa que tem acontecido comigo e que vem dado muito certo é a chamada "expectativa negativa". Como eu sou toda invertida, eu segui a lógica de que se eu criasse uma expectativa negativa das situações que aparecessem na minha frente, elas dariam certo. E deram certo. Não é o caso de ter perdido a fé, não ser mais positiva e blá blá blá, nada disso. O fato é que sempre que eu achava que uma situação seria muito foda, tipo o evento da minha vida, criava-se aquela expectativa, e no final o resultado era proporcionalmente contrário ao que eu esperava. Tomando isso por base, adotei a psicologia reversa pra mim e sim, as coisas finalmente começaram a fluir muito bem depois disso. Agora quando eu quero muito que algo aconteça, eu planejo como se fosse tudo dar errado. Aí sim, vitória na certa. Foi-se o tempo em que eu me frustrava com terceiros.
E, como poucas vezes na minha vida, eu vejo que não estou lidando com principiantes. É, até então sempre foi fácil lidar com todo mundo e tal, mas agora eu vejo que (finalmente) tem desafios que valem a pena surgindo no meu caminho. Desafios positivos, by the way. É meio chato ter tudo muito fácil, sabe, eu sentia falta dessa adrenalina, essa coisa de ter que mover as peças no momento certo, pra não rodar prematuramente. Se o fim desse ano está sendo assim, tão foda, eu imagino como o ano que vem vai ser. Psicologia reversa, Carolina. Pense que 2011 não vai ser lá essas coisas. Isso.

Fica aí então um post suave (e pequeno pros meus padrões) pra vocês. Não tô mais revolts, parece que eu resgatei meu bom humor nesse meio tempo também. Foi mais pra atualizar mesmo... Me desculpem pela linguagem meio formal em certos pontos. E eu estou me sentindo bem pra caralho. Ok, isso foi aleatório.
Ah, e sabe a queimação por dentro que eu falei ali em cima? Sensação muito boa, e tal... Acho que isso tem nome. Ou então deve ser meu estômago doendo. Vou ali tomar um sal de frutas pra ver se melhoro.
Não que um estômago doendo seja bom, mas... Masoquismo, a gente vê por aqui.

- Post originalmente escrito em 9/11/10 -

Divagações sobre a insônia


insônia (in-sô-nia)
s.f
(Do lat. Insomnia)
Ausência ou falta de sono; insonolência. Privação de sono; vigília; indisposição para dormir; agripnia.


Eu nunca fui muito fã de dormir. Sempre achei uma perda de tempo, horas preciosas da madrugada (que sem sombra de dúvidas é a melhor parte do dia) que podem ser convertidas em milhões de coisas interessantes perdidas num estado de quase morte, de anestesia, onde você não sabe como começa e muito menos quando vai terminar, que às vezes ainda traz como um bônus uns sonhos bizarros que você preferia não ter sonhado. Isso é mais ou menos a minha definição de dormir. Em outras palavras, o sono é uma afronta à madrugada.

Agora que eu estudo em casa, eu meio que troquei o dia pela noite, virei vampira, como minha mãe costuma dizer com um certo descontentamento. O fato é que desde um dia em que eu estava com uma inflamação tensa na garganta, que fazia meu ouvido quase explodir de tanta dor, e meu pai teve que me levar às 3 da manhã no hospital, que eu comecei a me interessar pela madrugada. O céu estava bem limpo, a lua imensa, brilhando pra cacete, a brisa gelada que corria mesmo quando o dia foi de um calor filho da puta, aquilo tudo meio que me hipnotizou. A madrugada tem uma vibe que o dia nunca vai ter. Falando assim devem até pensar que eu vivo fora de casa nesse período. Que nada, ela se resume à passar a noite com os amigos no terraço do primo e ficar na frente do notebook com litros de café do lado até umas 5 da manhã.
O ponto é que juntando isso de ficar acordada de madrugada à umas coisas que estão acontecendo, a insônia começou a flertar comigo. Não que isso seja algo ruim (cara... é algo ruim), mas o pior é que essa insônia de uns tempos pra cá começou a evoluir pra... um medo de dormir. Ok, não é aquilo do tipo “cacete, se eu dormir eu vou morrer, alguém me ajuda @_@”, até porque nem tenho medo da morte. É mais um medo do que eu vou “encontrar” enquanto eu estiver dormindo. E nem é um medo em si, é mais um desconforto. Parece que quando eu vou dormir, quando minha mente relaxa em termos, meus demônios todos aparecem. Minhas decepções, falhas, receios, eles vem todos juntos, e ficam martelando na minha mente sem parar. Não se contentam enquanto não enumeram falha por falha, displicência por displicência. Por um lado é até bom, eu vejo os erros e analiso todos os pontos, e sempre encontro uma solução pra eles. A parte ruim é que eu não me lembro de nada ao acordar.
Falando nisso, a psicologia reversa que eu citei no último post meio que fugiu do meu caminho. As expectativas voltaram com mais força justamente quando não deveriam, e se não fosse por um grande amigo meu me dando uma luz, provavelmente eu já teria surtado mais uma vez diante de uma situação que já me ocorreu há um tempo. Mas felizmente ele me fez lembrar o quanto eu odeio déjà vus. Dih, muito obrigada mesmo por tudo. E eles nunca serão perfeitos como nós. Mas logo eu, que pensava ser Ice Woman, sinto que estou derretendo.
Então é isso. Não se abale quando você achar que as coisas deram errado, até porque você deve estar fazendo como eu, sofrendo por antecipação, e no final não era nada do que sua mente doentia criou pra ti. Ou então você está certo, e as coisas realmente deram errado. Aí... É, vamos manter o pensamento positivo. E parem de perder o tempo de vocês dormindo, e aproveitem a madrugada, porque acreditem, ela foi feita pra ser vivida.


PS: Eu sei que dormir é necessário e blá blá blá. Mas isso não me faz odiar menos.



- Post originalmente escrito em 22/11/10 -

Divagação random - O último dia com 18 anos


Muita gente vai achar esse post sem nexo. Vão dizer que não tem nada a ver falar sobre isso, que embora amanhã eu vá fazer aniversário, 19 anos é uma idade como qualquer outra e afins. Mas falar sobre o meu último dia com 18 anos não quer dizer que eu vá me focar em dizer como eu acho que meus 19 anos vão ser, os meus projetos e tal. Minha intenção é fazer um balanço de como foram esses 365 dias, ou melhor, 364 dias carregando pela primeira vez o peso da maioridade nas costas. Vamos aos fatos.
No início, eu não achava que fazer 18 anos fosse ser um big deal. Sempre sustentei aquela tese de que 18 anos era uma idade como as outras, mas não é bem assim. A responsabilidade vem de carona, junto com cobranças vindas das mais variadas direções. Mas por um lado, pelo menos 2/3 do que se faz escondido até os 17 anos pode ser feito sem maiores ressalvas aos 18, enquanto por outro, pequenas coisas que eram sussa na adolescência devem ser riscadas da lista dos maiores de idade. Ou então devem ser feitas muuuito bem escondido. Dica: fique sempre com a segunda opção… Até ser pego. Se isso acontecer, claro.
Eu lembro vagamente de como foi 9 de agosto do ano passado… Caiu num dia dos pais, e eu lembro que fiquei puta porque não pude sair no dia… Mas mesmo assim, eu fiquei basicamente o dia inteiro com meus amigos no prédio, e tal... Mas a tarde foi o ponto alto do meu aniversário. porque foi quando eu conheci a pessoa que provavelmente é a mais importante pra mim desde então, um guri que assistia Domingo Legal (podem rir, eu ri pra cacete quando ouvi isso também), e que não passava de um “playsson escroto” na minha opinião. É bizarro como a primeira opinião que eu tive dele mudou drasticamente com 2 horas de conversa. E mudou. Não consigo mais imaginar minha vida sem ele, Leandrinho, que nesse tempo subiu do posto “amigo” pra “primo”.
Eu já passei por tanta coisa com ele nesse 1 ano… E a cada obstáculo que a gente atravessa juntos, mais se fortalece a nossa irmandade. E vai ser sempre assim. É fato que sempre que eu precisar ele vai estar ali, pra estender a mão quando eu estiver numa bad, é aquela pessoa que eu sei que eu posso contar até a última instância, assim como ele sabe que eu também vou estar sempre aqui. Eu nunca achei que fosse manter uma amizade tão sólida com ele como a que a gente tem atualmente. E felizmente, eu me enganei quanto a isso. Leandrinho, sua bicha de olhos verdes, eu amo você pra cacete <3
Sintetizando esses 364 dias, eu posso dizer que passei por muita coisa boa, coisas inesquecíveis, na verdade. Também lidei com muita gente babaca, sério, acho que eu conheci e me relacionei com mais gente babaca nesse 1 ano do que na minha vida inteira, mas elas me serviram de aprendizado pra eu não cair no mesmo erro outra vez. Realizei sonhos, estabeleci metas. Aprendi, finalmente, a distinguir amigos de pessoas que estão por perto só pra tirar proveito de determinada situação. Evidente que tomei algumas porradas da vida também, me decepcionei com basicamente meio mundo, vi gente sofrendo gratuitamente, ao mesmo tempo que sofri e me recuperei na mesma proporção, o que me tornou alguém mais racional, e digo até que fiquei um pouco mais fria do que eu já era. Mas também conheci pessoas que vão ser parceiras até o fim dos tempos. Passei a dar mais valor pra mim e pro que realmente vale a pena, a enxergar a simplicidade nas coisas. Deixei de tentar prender as pessoas a mim a todo custo, ao mesmo tempo em que passei a me dar mais liberdade: liberdade de tomar decisões arriscadas, de me permitir fazer coisas que eu não faria antes (sem levar pro lado menos ortodoxo galerë –q), enfim, aproveitar mais as coisas, sem ficar naquela de adiar o que deve ser feito até o fim. Eu mudei meu modo de pensar e agir uns 300% de 9 de agosto de 2009 até hoje, 8 de agosto de 2010. E digo com toda a certeza, mudei pra melhor.
Vendo agora, eu aproveitei bem esse meu primeiro ano como maior de idade. Não cheguei muito perto de ser presa nem nada do tipo, então creio que me saí bem. Os que já fizeram 18 anos sabem o que eu tô falando, e pros que ainda não fizeram: aproveitem muuuuuuito a adolescência, sério mesmo. E não se iludam achando que com 18 vocês vão colocar pra fuder, dizendo que vão dominar o mundo e “é nois” porque não vai ser assim. A maioridade é como se fosse um octagon, e a responsabilidade vem que nem o Chuck Liddell te dando várias cotoveladas from hell na cara, e o que você tem a fazer é não deixar passar a guarda,  virar o jogo e finalizar com uma guilhotina antes de acabar o terceiro round \o/
E sinto que meus 19 anos vão ser MUITO foda (y)’

PS¹: Achei MEGA random a minha analogia no final :B
PS²: Um happy b-day pra quem faz aniversário em agosto (^)


- Post originalmente escrito no dia 08/08/10 -

Divagações sobre o tempo perdido e afins


Sabe, dessa vez eu não sei se vou conseguir (e se vai ser conveniente) usar humor pra expor meu ponto de vista. Já digo logo que não tô revoltada com nada, é sério… Só tô me sentindo meio dormente em relação a tudo, e isso é extremamente bizarro.
Eu parei pra pensar nessa semana no tempo que eu tô perdendo. Pior que não é uma questão de querer desperdiçar o tempo, e sim uma sensação estranha que me faz questionar tudo o que eu tenha colocado na minha mente, tudo o que eu tenha vontade de fazer. É como se todas as minhas convicções, tudo o que eu construí até hoje, na verdade tivesse um sentido contrário ao que eu imaginava realmente ter, como se eu só tivesse descoberto agora o que é o certo e o errado. E nesse tal momento, tudo o que eu fiz até hoje colidiu com uma violência enorme com a linha de raciocínio que eu tenho agora, me fazendo enxergar muita coisa que há uma semana eu deixaria passar batido. Daí a tal perda de tempo.
Se lá no início, quando eu comecei a desenvolver a minha (difícil) personalidade, eu pudesse pensar da maneira que eu comecei a pensar há uns 3 dias, na boa, teria me poupado de muuuita coisa escrota. Mas a partir do momento que nós evoluímos com o tempo, um lado meu acaba querendo me deixar conformada, dizendo que essa tal perda de tempo nada mais foi do que uma ponte pra eu evoluir mais e mais a minha forma de ver as coisas. Já o meu outro lado, muito amável, diz que eu fui otária mesmo, e que a culpa de tudo isso foi minha.
O fato é que essa semana foi meio que um divisor de águas pra mim. Eu parei pra pensar em basicamente tudo o que foi feito até então, e me liguei que basicamente 70% das pessoas com quem eu me relacionava não mereciam na verdade nem 1/3 da minha atenção. Pessoas babacas, que se dão uma importância que não tem e nem nunca vão ter, que jamais vão ser nem metade de quem elas realmente pensam que são. Pessoas que conseguem criar tantas facetas pra lidar comigo e com os outros que chega a dar nojo, e que um dia ousaram achar que eu mudaria o meu jeito de ser pra lidar com elas, que achavam que eu ia me sujeitar a qualquer coisa pra conseguir pouco. Acho que no fundo eu nunca fui iludida com ninguém, mas sei lá, eu tinha aquela mania de achar que eu ia conseguir mudar as pessoas, de uma maneira ou de outra. Não digo que aprendi da pior maneira que as coisas não são assim, mas que eu tive que levar uma porrada ou outra pra poder entender quais eram as reais intenções desses filhos da puta que me circulavam e sugavam o melhor de mim, isso eu tive.
Eu não sou mais aquela guria que se preocupava em manter todos por perto, que ficava apreensiva quando percebia que alguém tava se afastando. Agora eu pouco me fodo se querem se manter por perto, se querem se afastar, sinceramente eu não me importo. Cada um sabe o peso das decisões que toma, cada um sabe das consequências e o modo que vai arcar com elas. Então se tu acha que é válido ficar por perto, ótimo, caso contrário eu não dou a mínima, é sério. Eu vi que meu tempo é muito curto e precioso pra eu ficar perdendo mais com essa gente babaca que acha que eu tenho que ficar correndo atrás, que acha que eu tenho que ceder quando agem como criança e dar crédito pra agirem mais e mais do mesmo jeito. Eu cheguei num ponto onde eu não quero dar murro em ponto de faca, esperar maturidade e evolução de pessoas que eu sei que eu nunca vão nem tentar evoluir. Pra essas, eu adoto a teoria do “my way or the high way”, do “ou dá ou desce” ou qualquer coisa semelhante. Agora eu quero as coisas do meu jeito, cansei de jogar o jogo dos outros. Não gostou? Legal, pode vazar. Sua falta não será sentida.
Também não me preocupo mais com a autodestruição alheia. Talvez por eu já ter quase me destruído (e ter me recuperado) e ter visto o quão idiota eu fui de me me sujeitar a coisas bizarras é que passei a adotar tal postura. Porque antes eu era quase uma psicóloga: ouvia os problemas, sentava, conversava, dava a minha mão sempre pra levantar quem quer que estivesse caído, e isso inúmeras vezes, eu meio que acreditava nas pessoas. Agora a tolerância e a paciência se esvaíram, é como se eu tivesse perdido a minha fé na mudança alheia e desde então eu não gasto mais o meu latim com quem insiste em sofrer gratuitamente. Tá se destruindo, aviso uma vez só porque eu sou legal. Se a pessoa tenta mudar, mas cai no mesmo erro de novo, é porque na verdade não quis mudar porra nenhuma, e está feliz com a situação humilhante em que se encontra. Então se ela quer se destruir, continuar numa posição que comprovadamente não dará nenhum retorno, sério, que nem conte comigo pra afogar as mágoas porque das duas uma: ou eu vou ficar calada e ignorar, ou eu vou dizer tudo o que ela não quer ouvir. Eu não tô aqui pra servir de atenuante pra ninguém, e muito menos pra me fazerem de otária.
Mas como eu disse, nessa semana veio uma espécie de estalo na minha cabela, dizendo pra eu repensar a minha jornada até agora. E foi interessante como tudo agora parece fazer sentido, sentido que eu procurava há tempos e não encontrava. Não vou dizer que eu estou entrando numa nova era, até porque sempre que eu dizia isso era como se eu estivesse dando dois passos pra trás. Eu só estou solidificando o que há pouco estava só sendo moldado. Não sou mais tão sonhadora, o realismo bateu forte na minha mente, eu enxergo tudo por uma perspectiva mais sólida. Não fico mais me lamuriando por causa dos meus enventuais erros, e levo comigo agora só quem e o que vale a pena. Encaro as minhas perdas como um salto pra consolidação das minhas metas, me sinto mais centrada no que realmente me importa, e tirei de jogada tudo (e todos) que não farão falta nenhuma, e que eram basicamente pesos mortos à minha volta. Sigo agora com um pensamento firme sobre o que eu quero, e ninguém, eu digo ninguém vai me tirar do meu foco. E quem é parceiro comigo, vai ter minha lealdade de volta . Pisou fora da linha, rodou. E que foda-se quem acha que eu sou radical, escrota ou qualquer outro adjetivo que queiram encaixar em mim. Aqueles que tentaram ser malandros comigo e me tirar de otária, só tentaram, porque eu provei por a mais b como é que as coisas são. E eu já errei tanto comigo mesma até hoje, que eu tô sussa demais acerca dessa minha nova perspectiva.
Até porque eu não preciso da aprovação de ninguém pra nada do que eu faça, e muito menos de redenção.


- Post originalmente escrito no dia 21/09/10 -

Mudanças...


Boa tarde!
Pois é, tive que fazer algumas mudanças. Estava muito tempo longe do outro blog, senti que ele precisava de uma repaginada. Dessa vez, vou me dedicar mais a ele. 1 post semanal (ou quantos me vierem à mente), sem espaços longos entre um post e outro. No mais, é isso.



Divirtam-se...