quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Boxing up 2014

Coloquei os 365 de 2014 dentro de uma caixa, e chutei a mesma pra casa do caralho.
Dentro dessa caixa ficaram atitudes, pensamentos, dias ruins e pessoas que só apareciam na minha vida pra complicar as coisas de alguma forma.

O ano que passou foi um grande professor. Mas me ensionou tudo na porrada. Foram dias complicados e densos. Por muitas vezes, eu desejava poder não ser eu por pelo menos algumas horas. Mas essas lições abriram muito meus olhos, e consegui ver com muita precisão onde eu estava errando. Aprendi que é importante saber deixar as pessoas e coisas irem embora, sem pressão. E a não esperar nada delas, nada mesmo. Isso é óbvio demais, mas a prática é muito mais difícil que a teoria.
Também aprendi que moderação é bom. Às vezes.

Por mais que os dias tenham sido arrastados e cansativos, o final desse ano estranho já me deu uma aliviada. Terminei 2014 satisfeita com as pessoas que estavam nesse período à minha volta, e com um feeling que 2015 vai ser muito melhor, lembrando que nada muda se nós continuarmos sendo os mesmos filhos da puta que fomos no ano passado. Não existe um um único lado meu que não precise de melhoras. Já que é assim, vamos dar uma mudada.

Deixar essa caixa pra trás me fez acordar bem hoje, e já não lembrava desse feeling há um tempo.
Que os dias daqui pra frente sejam assim, leves <3

domingo, 27 de abril de 2014

New age

Nós vivemos na geração dos efêmeros.
Tudo hoje é descartável. Comunicação, amizades, celulares, roupas. Nós temos tudo, e tudo não é o bastante. O céu deixou de ser o limite há tempos, mas em contrapartida não existe entusiasmo para expandir os horizontes. Aprendemos a nos contentar com pouco, a vida virou rotina. Estamos na era do "pra sempre" apático. Pra sempre esse que hoje pertence a ti, mas que amanhã sabe-se lá a quem pertencerá. Isso tudo me deprime demais.
O comum hoje é o vazio. É sentar numa mesa de bar com 5 amigos, e os 5 estarem digitando freneticamente nos respectivos celulares. Ninguém mais dá a mínima para encontros reais, situações reais, pessoas reais. Nós já fomos mais humanos, já nos preocupamos mais. Agora é como se as pessoas tenham virado grandes voids individuais na Terra.
Eu sou fã e devota da tecnologia, confesso. Acho que os avanços que nós tivemos até hoje são maravilhosos. Mas ao mesmo tempo, fizeram do homem um escravo. A criatura se voltando contra o criador. Com todo esse avanço, acabos nos fechando cada vez mais dentro de nós mesmos, em frente às nossas telas. Quem hoje se importa em sair do nada de casa, pra simplesmente dar uma volta pela rua, ver gente? Os computadores mantém esses e outros vínculos em tempo real, no conforto de nossas casas.

Os relacionamentos hoje também são bem mais frios. As pessoas estão bem mais frias. Acho que, por dentro, todos nós já percebemos, de uma forma ou de outra, que nossos esforços para lutar pelo que quer que seja estão sendo em vão. Tornamos assim a apatia e desinteresse nossa essência, e deixamos de viver os dias para apenas vê-los passar.
Nós nos perdemos no tempo. Hoje, é hype ter carinha de depressivo, com barbas, iPhones e óculos retrô, ir pro Starbucks pedir um café que nem se curte e fazer uma selfie pro Instagram. Nós viramos nossos próprios deuses, nossas próprias civilizações, e somos esnobes e vaidosos demais a ponto de aceitar que uma outra civilização possa ser melhor que a de nós mesmos. E com isso, vamos nos afunilando mais e mais na geração social media, e esquecendo como é de fato viver. Quando eu era mais nova, eu tinha uma visão de futuro muito mais interessante do que a realidade de hoje.
Nos tornamos seres extremamente rasos, e não nos demos conta. Todo nosso mojo se foi. Só desinteresse nos resta. É como se todas as outras gerações tivessem bebido tanto de uma fonte que tornou aqueles anos mágicos, que nos restaram apenas gotículas de toda essa magia. E a tendência desse quadro é piorar.

Nós vivemos na geração dos efêmeros. Mas sabe qual a pior parte disso tudo?
Tem muita gente que acha que sabe ser profunda.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Dor

Minha casa hoje está claustrofóbica. Tenho uma sensação dentro de mim que eu não saberia explicar nem em 100 anos. Dor misturada com nostalgia e desespero e tranquilidade. Eu simplesmente não quero acreditar nisso tudo. A impressão que eu tenho é a de que você vai aparecer correndo pela cozinha assim, do nada, e que eu vou poder fazer carinho em você mais uma vez. Que eu vou poder te pegar no colo, e abraçar seu corpinho quentinho, e achar engraçado quando você me arranhar ao tentar sair dele. As coisas vão ser bem difíceis a partir de agora. Você era um ponto de equilíbrio aqui em casa, você uniu todos nós. A alegria que você nos trouxe é algo que eu nunca vou conseguir explicar. Poder voltar da faculdade todas as noites, abrir a porta, olhar pra baixo e ver você na sua gaiolinha era uma das coisas que mais me fazia sentir bem. Fazer carinho em ti todas as manhãs. Cumprir o ritual de acordar, abrir sua gaiola, te esperar sair e te pegar no colo, te encher de beijinhos. Agora, isso tudo foi simplesmente arrancado de mim. Eu sei que você estava doentinha. Nós estávamos sendo preparados pra esse dia e nem percebemos. Graças a isso, conheci a veterinária que cuidou de ti, uma mulher sensacional que não mediu esforços para poder encontrar sua cura. Ela vai longe. E agora fico aqui, sozinha, como há 7 meses atrás. Sem aquela bolinha de pelos que me fazia feliz, que me odiava quando eu dava banho, e que me amava quando eu enchia de carinho. Me peguei lembrando da época que você chegou aqui em casa. Quando bastava eu sentar na escada daqui de casa com uma banana ou maçã, pra você vir correndo e pular na minha perna querendo comer as frutas. E eu assistia aquilo tudo maravilhada. Você era tão saudável, tão ativa! Corria tanto pela casa, cansava a gente homericamente de tanto que corria quando nós tentávamos te pegar. E agora, vai ficar a lembrança na mente. De como você adorava dormir atrás da máquina de lavar, de quando você entrava no meu quarto e acabava com a parede. Quando você ficava embaixo da mesa da sala, e avançava na gente quando tentávamos te tirar de lá. Quando você entrou embaixo do fogão, e ficava se escondendo atrás do freezer. Das vezes em que você tentou pular a janela, quando você ficava deitada quietinha me vendo jogar Zelda. Quando eu estava no meu quarto, e você vinha correndo e pulava na minha cama. Dos momentos que eu passava fazendo carinho em ti. De quando você me arranhava quando eu te dava banho, da primeira vez que você correu pelo quintal. Quando você roubou meu pedaço de cocada. Todas as mordidinhas que você me dava quando sentávamos juntas no sofá. A primeira vez que você dormiu no meu colo. O jeito que você ficava em pé quando queria comer biscoito. A forma carinhosa e especial que você traava meu pai. Todas as pessoas que te conheceram e ficaram encantadas. Você trouxe muitas felicidades. E me sinto mal pelos fins de semana que quase não parei em casa, os dias que não te dei muita atenção. Se eu soubesse que você iria embora assim, tão rápido, eu teria feito diferente. Teria deixado o notebook de lado e teria ficado do seu lado por mais tempo, teria te curtido mais. Mas tenho certeza que você leva lembranças boas de sua mãe contigo. Não teve um dia que eu não tenha te pego no colo, te dado um beijo e tenha dito no seu ouvido o quanto eu te amava. E o quanto eu vou te amar pra sempre. Hoje minha casa está triste, vazia. Porque pra cada lado que eu olhe, em cada cômodo que eu entre, você está lá. E vai estar sempre, no sofá da sala, no chão do meu quarto, dentro de mim.
Espero que a passagem tenha sido tranquila. Sei que você sentiu dor nesses últimos dias, mas saiba que nós fizemos de tudo pra amenizar sua dor. Bebê, nós tentamos de tudo. Mas não deu. Espero que você esteja em um lugar mais tranquilo, sem dor, e feliz, brincando com Waimea. E pode ter certeza que, quando nos encontrarmos de novo, ficaremos juntas pra sempre.
E pra todos vocês que tem bichinhos de estimação, fiquem mais tempo ao lado deles. Curtam seus bichinhos, não tenham medo de demonstrar o quanto vocês o amam. Façam tudo por eles. Porque hoje pode ser seu último dia, a gente nunca sabe...


Waikiki, você foi única. Eu nunca vou te esquecer. Esse vazio vai ser preenchido pelas lembranças felizes que terei de ti. Você será eterna.
✩ 05/11/12

† 20/06/13

domingo, 19 de maio de 2013

Ódio por amor

Eu odeio você. Odeio o seu jeito tranquilo, odeio o seu olhar, odeio a sua boca maravilhosa. Odeio o seu ar de superioridade. Odeio o seu sorriso, odeio o fato de roupas ridículas caírem tão bem em ti. Eu odeio suas coxas. Odeio isso tudo. Odeio o jeito que você reluta no início, mas acaba cedendo no final. Isso me dilacera por dentro. Odeio a sua voz, e odeio mais ainda quando você, sem perceber, fala as coisas do jeito certo e me faz suar frio. Eu simplesmente odeio... Minha maior vontade é quebrar essa sua pose de merda. Te submeter a mim. Ficar acima de ti, em cima de ti. Te ouvir implorar. Te dominar. Eu inclusive te odiaria por isso. Quero te fazer entender que você não está dominando esse jogo, que nem eu nem você estamos no comando. Eu odeio o jeito que você me provoca, muitas vezes sem perceber. Eu odeio essa sede inexplicável que eu tenho de ti, e odeio mais ainda o fato de você ter a exata noção disso e me tratar com desdém, fazer o que quer de mim. Eu odeio esse seu jogo duro. Odeio suas mãos, odeio o jeito que você passa os dedos pelo meu pescoço e me puxa pela camisa pra mais perto de ti. Odeio essa sua forma de não se importar com nada, enquanto curte o som na pista de dança com um sorriso nos lábios, a cerveja em uma mão e todo o meu bom senso e sanidade na outra. E você simplesmente não se importa. Enquanto eu estou lá, um pouco mais atrás de ti, em êxtase me apoiando na pilastra, bebendo um gole ou outro pra ajudar a descer todo o ódio que eu sinto pela garganta, mordendo o meu lábio quando na verdade eu quero é morder o seu. Eu odeio como você me tira do rumo. Odeio esse charme que você tem, esse algo inexplicável que me prende e o magnetismo violento que te cerca. Eu odeio te querer inexplicavelmente e não saber lidar com isso. Tudo o que eu carrego comigo já não tem mais nenhum sentido ou valor. Você não faz sentido algum, e muito menos eu.
Eu te odeio, com todo o meu amor.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Nostalgia


Sábados à noite me lembram meu primeiro emprego. Era escravidão travestida com uma carteira assinada, mas eu gostava de lá. Lembro que eu trabalhava aos sábado até tarde, mas quando eu chegava em casa, eu deixava minhas coisas em cima da cama, tomava um banho, comia algo e saía. Pra Copacabana com os amigos, pra casa do meu irmão, pro bas-fond do Rio de Janeiro. E era um momento da semana onde eu me sentia livre. O único na verdade, já que o domingo eu passaria estirada na cama dormindo até 4 da tarde, pra na segunda feira começar tudo outra vez. E no sábado passado, eu senti isso de novo, essa coisa de ser livre. E foi na simples ação de ir pegar o ônibus. Esperar ali, na brisa da noite, dá uma sensação boa. De invencibilidade. Sábados à noite me lembram das noites que eu perdi, e das que eu ganhei. Me lembram de quando eu fui pra Lapa com amigos e poderia ter aproveitado muito mais a pessoa que tava comigo, mas bateu a bad trip, coloquei os pés pelas mãos a noite acabou tomando uns ares meio agridoces. Me lembra as madrugadas regadas a Rock Band e cantorias até as 5h da manhã. Não me deixa esquecer das noites escrotas no Garage, na desistência de ficar naquele lugar merda e do nascer do sol na pedra do Arpoador mais tarde. Sábados à noite me lembram liberdade.
E dias nublados me lembram passado. Infância. Me fazem lembrar o prédio em que eu morava. Quando minha mãe levava minha irmã e eu para a escola. Quando chovia, e o recreio era dentro da sala de aula. Aulas de educação física. Sair 12h40 e voltar pra casa na hora do almoço. Meu quarto, a vista magnífica da minha janela. Meus 16 anos. O primeiro cara por quem me apaixonei. As experiências que eu tive. Viagens. A sensação que eu tinha de não saber pra onde ia, mas que ainda assim chegaria bem longe. As bandas que conheci. Minha primeira banda. Dias incríveis, outros nem tanto. Quando eu fiquei de castigo por 2 meses seguidos. Amizades que perduram até hoje, outras que acabaram ficando só na memória. Corações quebrados. Descobertas. Triângulos...
Dias nublados me deixam nostálgica. E me sinto bem quando bate essa onda. É bom olhar no passado, ver as coisas maravilhosas (e as nem tanto) que aconteceram e que te tornaram quem você é hoje. Ver as decisões certas e as erradas que te construíram. E perceber que se está no caminho certo... Tenho estado bem positiva nesses últimos dias.
Que essa onda não termine nunca.

domingo, 10 de março de 2013

Doce ironia...


A vida é engraçada. Você nunca é, de fato, alguma coisa. E sim, está. Você não é bonito, você não é rico, você não é carinhoso. Você está bonito, você está rico, você está carinhoso. Uma hora, tudo isso acaba. Não de uma hora pra outra (ou sim), mas tudo na vida é uma questão de estar. Pra ser de fato uma coisa, você tem que ser 24h por dia, 7 dias por semana, até o fim dos tempos. Ninguém é nada. Eu não sou nada. Você não é nada. Eu estou muitas coisas, mas não sou nada. Assim como você. Porém as circunstâncias acabam nos fazendo acreditar que somos demais, somos de menos. Mas não se equivoquem... Não somos absolutamente nada.
A vida gosta de pregar peças também. Ela é uma criança mimada que gosta de ver o circo pegar fogo. Sabe aquela sensação de que está tudo exatamente no seu devido lugar? Muito cuidado. Se as coisas estão indo muito bem, é porque você está fazendo algo errado. Ou então é a vida se preparando pra dar o bote. Sabe aquele dinheiro que você vem juntando há tempos pra comprar aquele tão sonhado carro? Pode ter certeza que vai acabar surgindo um imprevisto onde você vai ter que aplicar todo o montante. E você vai se revoltar com a vida. Isso a deixa bem feliz. E quando seu relacionamento está indo de vento em popa, e uma das duas partes acaba conhecendo alguém num dia aleatório que, sem mais nem menos, a encanta de tal forma que faz seu cérebro entrar em parafuso? Existe isso de amar uma pessoa incondicionalmente e se sentir atraída por outra de uma forma inexplicável? A vida adora isso, dúvidas cruéis. Ela se diverte colocando as pessoas nos seus limites, e ela sempre vai dar um jeito de nos fazer questionar tudo aquilo que temos certeza que é o certo. A vida sempre vai arranjar uma brecha para apresentar o errado como a melhor saída. Ela tem humor negro.
Com certeza os que sofrem com a síndrome de Poliana vão me achar negativa ao extremo. Que péssima visão eu devo ter da vida pra eles. Mas eu discordo. Eu simpatizo com essa linha de raciocínio onde todo o mal que acontece tem um lado bom. Eu só tenho uma visão muito peculiar sobre a vida. A vida te desafia. Ela te coloca à prova de tudo. Testa seu psicológico até sua mente gritar de dor. Se dá bem quem consegue passar no teste com um sorriso no rosto, sem se transtornar com nada. Quem zera a vida são aqueles que não deixam pra amanhã o que podem deixar pra lá.
A vida é uma puta. Se engana quem acha que ela é um mar de rosas. Mas eu gosto dela. A minha vida, pelo menos, tem me colocado em situações que eu não trocaria por nada. Situações que eu acabo achando graça no final. Sabe aquele tipo de coisa que você sempre jurou pra si mesmo que nunca faria? Não deixe a vida saber disso. Aprenda a esconder seus segredos de si mesmo, porque ela sempre vai dar um jeito de fazer você queimar sua língua.
A vida é uma ironia em forma de dias...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Devaneios de um domingo de manhã

Ele acordou estirado no sofá da casa do seu amigo por volta de umas 9h da manhã. Ao abrir os olhos e olhar para o chão, o reflexo da noite anterior: o tal amigo deitado no outro sofá, já acordado, com um cigarro aceso entre os dedos, e mais dois deitados no chão, meio bagunçados, em meio a mil latas de cerveja e cinzeiros cheios. O videogame ainda parecia estar ligado. Levantou e foi no banheiro lavar o rosto, não sem antes apertar a mão do amigo. Para depois lhe dar um abraço e ir para sua casa.
Ao abrir a porta, e passar pelo corredor, os raios do sol já mostravam o quão bonito aquele dia seria. Abriu o portão, casaco na mão direita, mão esquerda no bolso, sol no rosto. Pensou em atravessar a rua para pegar o ônibus, que não estaria cheio a essa hora. Pensou mais uma vez, e decidiu ir a pé para casa. Afinal, uma caminhada de 20 minutos não mata ninguém. Pelo contrário.
Ao seguir na rua, ele percebeu o quanto domingos são pitorescos. Pais dando a mão a seus filhos, saindo da padaria com pão fresquinho. Outros, ajudando seus pequenos a andar de bicicleta. Andou mais um pouco, pessoas extremamente ativas (ah, essa geração saúde) já malhando e suando como se não houvesse o amanhã. Ele riu ao lembrar do quanto a vida dele era sedentária. O pessoal mais velho jogando futebol no campo ali perto. O sol. A rua tranquila, a paisagem bonita e sutil que o domingo traz junto com ele. Atravessou a rua mais a frente, olhando as pessoas que pareciam muito felizes andando. Olhou para uma casa. Pensou em cada família que deveria estar tomando café da manhã reunida agora, com sorrisos no rosto e já se preparando para fazer o almoço, receber os parentes. Pensou em quantas pessoas estavam estruturando a vida metodicamente. Ele riu mais uma vez. Nunca foi um cara de planos. Sempre vive cada dia como se fosse último, não acredita que o futuro exista, e nem sabe se vai estar vivo amanhã. Se vai estar vivo quando chegar em casa. Então, ele segue sua vida sem muitos rodeios, sem grandes acontecimentos, enquanto vai andando na rua. Passa em frente a uma (das muitas) padaria, o rapaz está colocando um espeto com galetos dentro daquele forno que fica na rua. Batatas assadas no fundo. O estômago dele roncou. E ele achou engraçado como na mesma hora, um cachorro se aproximou e ficou encarando aqueles galetos, como se fossem a oitava maravilha do mundo.
Chegou na sua rua. Deu bom dia pra vizinha sorridente que todos os domingos de manhã se senta à porta de casa, para tomar um sol. Abriu a porta de casa. Seu cachorro pulou em cima dele, como se ele fosse seu super-herói. Abraçou o cachorro, se deitou na cama com ele. Acendeu um cigarro. 9h50 da manhã. Pensou em como existem detalhes que ninguém percebe. Pensou que se ele tivesse voltado de ônibus, as coisas seriam diferentes. Ele perderia partes que podem parecer efêmeras quando você só olha, e não vê. Enxergou que a simplicidade é a grande jogada da vida. E ele ainda tinha toda a vida pela frente.